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17/Jun/2026

Derivados: comportamento distinto do óleo e farelo

Segundo o Itaú BBA, o mercado de derivados de soja apresentou comportamento distinto entre óleo e farelo ao longo de maio. Enquanto o óleo de soja foi sustentado pelo fortalecimento da demanda ligada ao setor de biocombustíveis, o farelo continuou pressionado pelo aumento da oferta global e pela maior disponibilidade do produto no mercado doméstico. O óleo de soja liderou os ganhos do complexo soja no período. Na Bolsa de Chicago, a cotação média avançou 8,3% em maio, superando 77,00 centavos de dólar por libra-peso no encerramento do mês. O movimento foi impulsionado pela valorização do petróleo diante das tensões no Oriente Médio e pelas expectativas de expansão do consumo de biocombustíveis em importantes mercados asiáticos. Entre os fatores de suporte estiveram a implementação da mistura obrigatória B50 na Indonésia a partir de julho e as discussões sobre a adoção do B15 na Malásia. No fim de maio, entretanto, parte dos ganhos foi limitada pelo avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã, que reduziram os prêmios de risco associados ao petróleo.

No segmento de farelo, o comportamento foi mais moderado. Na Bolsa de Chicago, os preços registraram alta de 1,3%, encerrando maio em US$ 329,00 por tonelada. O desempenho refletiu principalmente o elevado volume de esmagamento observado na América do Sul. No Brasil, porém, a combinação entre ampla oferta interna e valorização do Real pressionou as cotações. Em Rondonópolis (MT), principal referência do mercado, o farelo registrou queda de 3,8% em maio frente a abril, sendo negociado a R$ 1.525,00 por tonelada. Para a temporada 2026/27, o Itaú BBA projeta manutenção de preços relativamente firmes para o óleo de soja, sustentados pelo crescimento da demanda energética e pelo avanço das políticas de biocombustíveis em diversos países. Para o farelo, a expectativa é de continuidade da pressão baixista. O aumento do esmagamento nos Estados Unidos, Brasil e Argentina elevará significativamente a oferta global do produto, ampliando a concorrência entre exportadores.

A Argentina, principal exportadora mundial de farelo de soja, deve intensificar sua presença no mercado internacional nos próximos meses. Esse movimento tende a aumentar a competição pelos principais destinos importadores e pressionar os prêmios de exportação brasileiros entre junho e agosto. O line-up argentino projeta embarques de 1,8 milhão de toneladas em junho, após exportações de 2,4 milhões de toneladas em maio. No acumulado do ano, os embarques somam 6,5 milhões de toneladas, volume 7,5% inferior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior. O mercado de óleo de soja continuará sendo beneficiado pela expansão do consumo de combustíveis renováveis, enquanto o farelo deverá enfrentar um ambiente mais desafiador em razão do crescimento da oferta global e da maior concorrência entre os países exportadores. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.