16/Jun/2026
Os contratos futuros de soja encerraram em leve alta na Bolsa de Chicago nesta segunda-feira (15/06), impulsionados principalmente por um movimento de cobertura de posições vendidas após as fortes liquidações observadas nas últimas semanas. O contrato com vencimento em novembro avançou 2,75 cents, ou 0,24%, e fechou a US$ 11,34 por bushel. O suporte ao mercado esteve associado ao reposicionamento dos fundos de investimento. Dados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) mostraram que a posição líquida comprada dos fundos em soja foi reduzida em 37% na semana encerrada em 9 de junho, passando de 155.780 para 97.859 contratos. O volume representa o menor saldo líquido comprado desde 3 de fevereiro e estimulou parte dos investidores a realizar recompras de contratos. Apesar da reação positiva, os fundamentos seguem limitando uma recuperação mais consistente das cotações.
O clima favorável ao desenvolvimento das lavouras nos Estados Unidos continua reforçando as expectativas de boa produção na safra 2026/27. Paralelamente, a ausência de compras expressivas de soja norte-americana por parte da China e a elevada disponibilidade de produto na América do Sul mantêm pressão sobre os preços. No Brasil, a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) projeta embarques de 14,38 milhões de toneladas de soja em junho, volume 4,3% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. Na Argentina, a Bolsa de Comércio de Rosário elevou sua estimativa para a safra 2025/26 de 50 milhões para 51,5 milhões de toneladas, reforçando a percepção de ampla oferta regional. Os dados de exportação dos Estados Unidos também contribuíram para o desempenho positivo do mercado. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), as inspeções de embarques de soja somaram 522.687 toneladas na semana encerrada em 11 de junho, crescimento de 26,8% em comparação com a semana anterior.
Os ganhos, entretanto, foram parcialmente limitados pela forte queda do petróleo no mercado internacional. A commodity energética recuou após o anúncio de um acordo entre Estados Unidos e Irã, reduzindo os riscos geopolíticos relacionados ao abastecimento global. A desvalorização do petróleo reduz a atratividade econômica da mistura de biodiesel ao diesel, diminuindo potencialmente a demanda por matérias-primas utilizadas na produção do biocombustível. O óleo de soja figura entre os principais insumos empregados na fabricação de biodiesel, o que mantém pressão indireta sobre o complexo soja. Dessa forma, embora o movimento técnico de recompras tenha proporcionado sustentação às cotações, o mercado continua monitorando o avanço da safra norte-americana, o comportamento da demanda chinesa e a disponibilidade de soja na América do Sul, fatores que seguem determinantes para a formação dos preços internacionais.