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15/Jun/2026

Futuros caem com ampla oferta da América do Sul

Os contratos futuros de soja encerraram a sessão de sexta-feira (12/06) em leve baixa na Bolsa de Chicago, pressionados pela ampla disponibilidade de oferta na América do Sul e pela ausência de ajustes altistas nos números divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O contrato novembro, referência para a nova safra norte-americana, fechou a US$ 11,32 por bushel, com recuo de 0,18%. Na semana passada, a perda acumulada foi de 0,48%. O principal fator baixista continua sendo o elevado volume disponível para exportação no Brasil e na Argentina. A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) projeta embarques brasileiros de 14,38 milhões de toneladas em junho, volume 4,3% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior, reforçando a competitividade da soja brasileira no mercado internacional. Na Argentina, as perspectivas de produção também melhoraram.

A Bolsa de Comércio de Rosário elevou sua estimativa para a safra 2025/26 de 50 milhões para 51,5 milhões de toneladas. Paralelamente, o USDA revisou sua projeção para a produção argentina de 48 milhões para 50 milhões de toneladas, superando a expectativa média do mercado, que apontava para 48,6 milhões de toneladas. Além da concorrência sul-americana, os investidores continuaram assimilando o relatório mensal de oferta e demanda do USDA. A agência manteve inalteradas suas projeções para a safra norte-americana de soja em 120,7 milhões de toneladas e para os estoques finais em 8,44 milhões de toneladas. O mercado esperava ajustes moderadamente baixistas, o que acabou frustrando parte das expectativas de suporte aos preços. Outro elemento de pressão veio do mercado de energia. A forte queda do petróleo reduziu as cotações do óleo de soja, importante matéria-prima para a produção de biodiesel. A diminuição da atratividade econômica do biocombustível tende a reduzir a demanda pelo derivado, afetando indiretamente o complexo soja.

Apesar do cenário predominantemente negativo, as perdas foram limitadas pela valorização do real frente ao dólar. O enfraquecimento da moeda norte-americana reduz a competitividade das exportações brasileiras e pode desacelerar o ritmo de comercialização, oferecendo algum suporte às cotações internacionais. Para os próximos meses, o mercado seguirá concentrando atenção sobre três fatores principais: o desenvolvimento climático das lavouras nos Estados Unidos durante o período crítico de definição de produtividade, o comportamento da demanda chinesa por soja norte-americana e o ritmo das exportações da América do Sul. Enquanto não surgirem ameaças climáticas relevantes nos Estados Unidos ou uma retomada mais forte das compras chinesas, a ampla oferta global tende a continuar limitando movimentos de alta mais consistentes na Bolsa de Chicago.