11/Jun/2026
A recente queda dos preços da soja na Bolsa de Chicago reflete um conjunto de fatores que continuam pressionando o mercado no curto prazo. Segundo análise da plataforma Czapp, da trading Czarnikow, uma recuperação mais consistente das cotações dependerá principalmente de sinais concretos de aumento da demanda, especialmente por parte da China. A combinação entre ampla oferta sul-americana, aumento das exportações, demanda chinesa enfraquecida e deterioração das margens de esmagamento continua limitando a recuperação dos preços. A expectativa é de que a chegada de soja importada à China aumente em junho e permaneça elevada durante o verão do Hemisfério Norte. No entanto, não há perspectiva de melhora significativa das margens da indústria chinesa de processamento, fator que reduz o potencial de crescimento da demanda. Entre o fim de maio e o início de junho, o contrato futuro da soja na Bolsa de Chicago recuou cerca de 6%, passando de US$ 11,95 para US$ 11,22 por bushel.
Nos portos do Golfo do México, os preços de exportação também caíram, reduzindo a diferença em relação à soja brasileira. O movimento foi influenciado pelo bom desenvolvimento da safra norte-americana, pelo ambiente macroeconômico mais restritivo e pela ausência de compras relevantes da nova safra dos Estados Unidos pela China. Nos Estados Unidos, o avanço do plantio reforça a perspectiva de uma safra volumosa. Segundo o USDA, a semeadura alcançou 92% da área prevista até o dia 7 de junho, acima dos 89% registrados no mesmo período do ano anterior e dos 88% da média dos últimos cinco anos. A emergência das lavouras atingiu 79%, enquanto 65% das áreas foram classificadas em condição boa ou excelente. O ambiente macroeconômico também contribuiu para a pressão sobre as commodities agrícolas. Dados mais fortes do mercado de trabalho norte-americano aumentaram as expectativas de juros elevados, fortalecendo o dólar e estimulando a liquidação de posições em ativos de risco.
Além disso, a queda do petróleo reduziu o suporte ao complexo soja e aos mercados relacionados aos biocombustíveis. Na América do Sul, a oferta continua robusta. No Brasil, a colheita está praticamente encerrada e os embarques seguem em ritmo elevado. As exportações somaram 16,8 milhões de toneladas em abril e 14,8 milhões de toneladas em maio, volumes superiores aos registrados nos mesmos meses de 2025. No acumulado de janeiro a maio, o Brasil exportou 55,1 milhões de toneladas de soja, avanço de 3,5 milhões de toneladas em relação ao mesmo período do ano anterior. Desse total, 38,1 milhões de toneladas tiveram a China como destino, o equivalente a 69% dos embarques. Apesar da liderança chinesa, o crescimento das exportações brasileiras ocorreu principalmente em outros mercados, como Europa, Turquia e países asiáticos. Na Argentina, a colheita alcançou 91,7% da área cultivada, com produtividade entre as mais elevadas da história recente.
A Bolsa de Cereais de Buenos Aires elevou sua estimativa de produção para 50 milhões de toneladas, acima das 48 milhões de toneladas projetadas pelo USDA. Além disso, a redução gradual dos impostos de exportação anunciada pelo governo argentino pode estimular a expansão da produção nos próximos anos. A principal incerteza continua sendo a demanda chinesa. O mercado acompanha com cautela a promessa de aquisição de 25 milhões de toneladas de soja norte-americana pela China em 2026. Até o início de junho, porém, não havia registros de compras significativas da nova safra dos Estados Unidos. Os dados semanais do USDA apontaram vendas de apenas 75 mil toneladas de soja da safra velha para a China, enquanto os volumes da nova safra não identificaram compradores chineses. Diante desse cenário, a ausência de compras relevantes da China segue como o principal fator limitador para uma recuperação mais consistente dos preços da soja em Chicago, mesmo com a demanda global permanecendo ativa. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.