ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

10/Jun/2026

Grãos: relatório USDA ganha peso com clima nos EUA

O relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) passou a concentrar maior atenção do mercado nesta semana para soja, milho e trigo, em um cenário de melhora climática nos Estados Unidos que ainda não se refletiu integralmente nas condições das lavouras. A percepção é de que o documento, com divulgação prevista para esta quinta-feira (11/06), pode trazer ajustes relevantes caso o USDA considere que as projeções iniciais de produtividade foram otimistas diante da evolução recente das lavouras. No caso da soja, a área plantada nos Estados Unidos atingiu 92%, acima da média de cinco anos de 88%, enquanto a parcela de lavouras em condição boa ou excelente permaneceu entre 66% e 67%, abaixo da expectativa do mercado de avanço para 68% ou 69%. A produtividade oficial atual da soja está estimada em 3,56 toneladas por hectare, nível que o mercado observa como potencialmente sujeito a revisão, caso não haja melhora consistente das condições de campo.

O clima nos Estados Unidos tem sido mais favorável nos últimos dias, com chuvas e temperaturas mais elevadas contribuindo para o desenvolvimento das lavouras, embora sem impacto significativo imediato nos indicadores de qualidade. No balanço global, a pressão sobre a soja também é influenciada pela oferta da América do Sul. O Brasil concluiu a colheita e exportou cerca de 14,8 milhões de toneladas em maio, com expectativa de ao menos 12 milhões de toneladas em junho. Na Argentina, a colheita avançou para 92% da área, ampliando a disponibilidade global e contribuindo para a fraqueza recente dos preços na Bolsa de Chicago, com o contrato próximo de US$ 11,13 por bushel. No milho, o cenário apresenta dinâmica semelhante, com suporte técnico e atenção ao relatório. O plantio nos Estados Unidos atingiu 97% da área, enquanto a condição das lavouras permaneceu em 67% boas ou excelentes, abaixo da expectativa de melhora para 68% ou 69%.

A produtividade inicial do USDA está estimada em 11,49 toneladas por hectare, também considerada elevada e sujeita a revisão caso o desenvolvimento das lavouras não evolua como esperado. O milho conta ainda com fator de suporte pela demanda externa, com exportações dos Estados Unidos cerca de 5% acima do ritmo necessário para cumprir a meta anual do USDA. A combinação entre possível ajuste de produtividade e aumento nas projeções de embarques pode gerar viés levemente altista no relatório. Em contrapartida, a oferta da América do Sul segue em expansão, com a segunda safra brasileira iniciando colheita em 4,4% da área e a Argentina avançando sobre 40% da produção. No trigo, o cenário é mais heterogêneo. O trigo de inverno nos Estados Unidos apresenta piora nas condições, com apenas 25% das lavouras classificadas como boas ou excelentes, enquanto o trigo de primavera mostrou melhora, passando de 47% para 52%.

Ainda assim, o mercado permanece pressionado pela fraqueza de soja e milho e pelo aumento das posições vendidas de fundos. No cenário internacional, a Argentina já semeou cerca de um terço da nova safra de trigo. A Austrália permanece no foco devido à incerteza climática associada ao El Niño, com projeções variando entre 21 milhões e 31 milhões de toneladas. Na Ucrânia, a produção é considerada favorável, mas o aumento de custos logísticos pode impactar o escoamento. Na Rússia, a manutenção de exportações em ritmo elevado e ausência de taxa de exportação no curto prazo reforçam a oferta global. A China também segue como variável relevante para o equilíbrio dos mercados, com avanço acelerado da colheita após atrasos climáticos. O país já colheu cerca de 60% da safra, chegando a 80% em Henan, principal região produtora. O mercado monitora a proporção entre trigo de qualidade e trigo forrageiro, fator que pode influenciar a demanda por importações de milho e alterar fluxos comerciais globais de grãos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.