09/Jun/2026
A soja ainda pode registrar novas perdas na Bolsa de Chicago antes de encontrar um suporte mais consistente. Segundo a AgResource, as cotações da oleaginosa podem recuar para a faixa entre US$ 10,85 e US$ 11,00 por bushel, nível considerado uma importante zona de sustentação para o mercado. O principal fator de pressão continua sendo o clima favorável nos Estados Unidos. As condições meteorológicas observadas durante maio e início de junho têm contribuído para fortalecer as perspectivas produtivas da safra norte-americana, reduzindo os prêmios climáticos incorporados às cotações nas últimas semanas. Regiões que enfrentavam preocupação com déficit hídrico, como partes de Illinois e Minnesota, passaram a registrar volumes de chuva entre 125% e quase 400% acima da normalidade. Além disso, os modelos climáticos não indicam ocorrência de calor extremo persistente ou períodos prolongados de frio capazes de comprometer o desenvolvimento das lavouras de verão.
A melhora das condições climáticas acelerou o movimento de liquidação observado recentemente na Bolsa de Chicago. Os fundos de investimento ainda mantêm posição comprada relevante na soja, próxima de 140 mil contratos, fator que pode ampliar a volatilidade caso o processo de realização de lucros continue. Apesar da pressão atual, a soja permanece negociada acima dos níveis registrados há um ano. Parte dessa sustentação decorre do fortalecimento do mercado de óleo de soja e das perspectivas associadas às políticas de biocombustíveis nos Estados Unidos, que continuam favorecendo a demanda pelo complexo soja. Ainda assim, o mercado permanece vulnerável a novas correções enquanto não surgirem ameaças climáticas relevantes ou sinais mais concretos sobre o potencial produtivo da safra norte-americana.
Historicamente, o período decisivo para a definição do rendimento da soja nos Estados Unidos ocorre em agosto, quando as condições climáticas passam a exercer influência mais direta sobre a produtividade final. No horizonte de médio e longo prazo, o destaque é a possibilidade de formação de um forte evento de El Niño. Projeções indicam potencial intensificação do fenômeno entre dezembro de 2026 e janeiro de 2027 com anomalias de temperatura no Oceano Pacífico variando entre 3,2°C e 3,4°C acima da média. Caso o cenário se confirme, poderão ocorrer impactos relevantes sobre importantes regiões produtoras globais, incluindo áreas de trigo na Austrália, produção de óleo de palma no Sudeste Asiático, regime de monções na Índia e zonas agrícolas da região do Mar Negro. No Brasil, o mercado deverá acompanhar especialmente o comportamento climático em Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul a partir de setembro, período que marca o início do desenvolvimento das lavouras da nova safra. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.