08/Jun/2026
Os contratos futuros de soja negociados na Bolsa de Chicago encerraram o pregão de sexta-feira (05/06) em baixa, pressionados pela melhora das condições climáticas nas principais áreas produtoras dos Estados Unidos, pela ausência de sinais de novas compras chinesas e pela retirada dos prêmios de risco incorporados recentemente às cotações. O contrato com vencimento em julho recuou 7,25 cents, ou 0,64%, e fechou a US$ 11,21 por bushel. O clima favorável no Meio Oeste norte-americano permaneceu como o principal fator de pressão sobre o mercado. Chuvas registradas recentemente melhoraram o balanço hídrico da principal região produtora de grãos dos Estados Unidos, enquanto novos sistemas de precipitação seguem avançando de oeste para leste sobre áreas estratégicas para o desenvolvimento das lavouras.
Além das condições climáticas, o mercado passou por um movimento de retirada dos prêmios associados às tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã. Com a redução das preocupações imediatas relacionadas ao conflito e a manutenção de um cenário climático favorável nos Estados Unidos, os investidores voltaram a concentrar atenção em fundamentos considerados baixistas para a oleaginosa. Entre esses fatores estão a ausência de compras expressivas da China, principal importadora global de soja, e a ampla disponibilidade de oferta na América do Sul. O mercado também continua monitorando informações de que compradores chineses poderiam adiar novas aquisições de soja norte-americana até mais próximo da colheita dos Estados Unidos, reduzindo a demanda imediata pelo produto.
A movimentação dos fundos de investimento também contribuiu para a pressão sobre as cotações. Em um ambiente sem notícias capazes de estimular novas compras, o fluxo vendedor permaneceu predominante, ampliando as perdas observadas durante a sessão. Analistas destacam que uma recuperação mais consistente dos preços antes da colheita norte-americana dependerá principalmente de dois fatores: o retorno das compras chinesas da nova safra dos Estados Unidos ou uma deterioração das condições climáticas nas regiões produtoras do país. Sem esses elementos, o mercado tende a permanecer sensível ao cenário de ampla oferta global. Os derivados da soja também exerceram influência sobre os negócios.
O óleo de soja registrou queda acompanhando a fraqueza do óleo de palma e movimentos de liquidação técnica observados em mercados de commodities. O farelo de soja também encerrou o dia em baixa, mesmo após o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) confirmar a venda de 190 mil toneladas do produto da safra 2025/26 para as Filipinas. No caso da safra nova, agentes de mercado avaliam que níveis próximos de US$ 11,74 a US$ 11,75 por bushel para o contrato novembro poderiam representar oportunidades mais atrativas de comercialização. Já patamares acima de US$ 12,00 por bushel dependeriam de fatores adicionais de sustentação, especialmente novas compras da China ou problemas climáticos relevantes nas lavouras norte-americanas.