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05/Jun/2026

EUA: China pode redefinir balanço de oferta/demanda

Segundo a StoneX, a decisão da China sobre quanto comprará de soja norte-americana no próximo ano comercial pode redefinir o balanço de oferta e demanda dos Estados Unidos e alterar os fluxos globais da oleaginosa. O mercado trabalha hoje com clima favorável nos Estados Unidos, perspectiva de safra cheia e estoques confortáveis, mas compras chinesas próximas das 25 milhões de toneladas prometidas pela China mudariam esse quadro. Os fundos vêm liquidando posições em grãos com a entrada de junho e a melhora das condições climáticas. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) classificou 68% das lavouras norte-americanas de soja em condições boas ou excelentes, em linha com a média de cinco anos para o início do verão. Há problemas pontuais, mas a previsão indica chuvas para áreas secas e melhora em regiões úmidas. Os fundos veem isso como positivo para a safra.

O USDA projeta produção norte-americana de 120,7 milhões de toneladas, em 34,3 milhões de hectares. Esse número ainda pode subir no relatório de área de 30 de junho, a depender da colheita de eventual migração de área de milho para a oleaginosa. Na demanda, o esmagamento segue como ponto de sustentação. O USDA estima processamento de 74,8 milhões de toneladas, no próximo ciclo, enquanto a StoneX trabalha com 75,5 milhões de toneladas. O óleo de soja perto de 80,00 centavos de dólar por libra-peso ajuda a manter margens elevadas e sustenta a demanda da indústria. O esmagamento está forte. No ciclo atual, a StoneX estima esmagamento de 72,4 milhões de toneladas, acima da projeção do USDA. Ainda assim, os estoques finais devem ficar em 8,4 milhões de toneladas, relação estoque/uso de 6,9%, nível considerado suficiente para atender à demanda até a próxima colheita. Não há razão para racionar demanda com preços mais altos para a safra velha. A principal incerteza está nas exportações.

O USDA projeta embarques norte-americanos acima do ano comercial atual. Essa conta embute a hipótese de que a China compre cerca de 15 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos no próximo ciclo, aproximadamente 60% do compromisso de 25 milhões de toneladas assumido em outubro. A StoneX trabalha com volume mais próximo de 12 milhões de toneladas. A cautela decorre da diferença de preços. A soja argentina chega aos portos chineses a US$ 13,36 por bushel, e a brasileira, a US$ 13,40 por bushel. A soja norte-americana embarcada pelo Golfo custa US$ 14,53 por bushel, e a do Noroeste do Pacífico, US$ 14,15, antes da tarifa retaliatória chinesa de 10%. Não são as tarifas. É preciso ter preço competitivo e a soja norte-americana não tem esse preço competitivo para a indústria chinesa. Os esmagadores não têm incentivo para comprar soja norte-americana com esse tipo de desvantagem de preço em relação às origens sul-americanas.

Nesse quadro, uma compra relevante dependeria de decisão da China para obter concessões comerciais dos Estados Unidos. A compra de soja seria por razões políticas, não econômicas. Caso a China compre volumes maiores, a operação teria de passar pela Sinograin, estatal chinesa de grãos, para formação de reservas. Porém, há sinais de que os estoques públicos chineses estão praticamente cheios. Para abrir espaço, a Sinograin teria de leiloar soja antiga a preços baixos, cerca de US$ 1,00 por bushel abaixo do custo de importação da soja brasileira ou argentina. Nesse cenário, a soja brasileira não competiria diretamente com a norte-americana, mas com a soja de reserva liberada pela China. Se a China comprar as 25 milhões de toneladas prometidas, o impacto sobre o balanço norte-americano seria relevante. Os Estados Unidos não teriam soja suficiente para atender simultaneamente o programa doméstico de biocombustíveis e esse volume de exportação para a China sem uma safra muito acima das expectativas.

O ajuste teria de ocorrer pelos preços: a soja norte-americana ficaria mais cara para racionar a demanda interna, enquanto a base brasileira teria de enfraquecer para redirecionar outros compradores para a América do Sul. Para o mercado, o foco agora será detectar sinais de compras chinesas no mercado físico, nos anúncios diários do USDA ou nos relatórios semanais de exportação. Se a China comprar zero, será preciso cortar muito a meta de exportação do USDA. Se comprar 12 milhões de toneladas, precisará cortar um pouco. Se comprar 25 milhões de toneladas, será preciso aumentar a meta de exportação e reduzir os estoques finais. As implicações são enormes. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.