03/Jun/2026
Segundo a AgResource, os contratos futuros de soja na Bolsa de Chicago atravessam um período de correção sazonal neste início de junho, mas fatores ligados ao mercado de óleo de soja e às margens de esmagamento nos Estados Unidos continuam oferecendo sustentação aos preços. O clima favorável nas principais regiões produtoras dos Estados Unidos reduziu parte dos prêmios de risco incorporados às cotações de soja, milho e trigo. Ainda assim, o aumento do interesse em aberto nos contratos futuros sugere que investidores seguem atuando nas quedas de preço, indicando manutenção do interesse comprador. Além disso, as lavouras norte-americanas ainda se encontram em estágio inicial de desenvolvimento, mantendo espaço para alterações no potencial produtivo ao longo da temporada.
No mercado da soja, o principal fator de suporte é o desempenho do óleo. Em relação ao mesmo período de 2025, os contratos da oleaginosa operam cerca de US$ 1,32 por bushel acima dos níveis observados há um ano. O avanço é atribuído principalmente à valorização do óleo de soja, que acumulou alta de 31,5 centavos de dólar por libra-peso no período. O farelo de soja também apresenta valorização, embora em intensidade menor. A força do óleo elevou significativamente a rentabilidade do processamento nos Estados Unidos. As margens de esmagamento estão próximas de US$ 4,00 por bushel, patamar considerado elevado para o setor. Apesar do ambiente favorável, a expansão da capacidade industrial deve ocorrer de forma gradual, com apenas duas novas unidades de processamento previstas para entrar em operação entre o final de 2026 e o início de 2027.
O mercado de biocombustíveis segue como um dos principais motores da demanda. O aumento das metas de mistura nos Estados Unidos e a valorização de matérias-primas concorrentes utilizadas na produção de diesel renovável, como óleo de cozinha usado e sebo bovino, ampliam a competitividade do óleo de soja dentro da cadeia energética. No milho, os fundamentos permanecem relativamente ajustados. Os estoques finais norte-americanos caminham para níveis semelhantes aos observados nas temporadas recentes, caracterizando um ambiente de oferta mais apertada e reduzindo o potencial de quedas prolongadas nos preços. Para o trigo, a atenção do mercado está voltada à redução da oferta entre os principais exportadores globais. A produção desses países pode recuar pelo menos 40 milhões de toneladas.
A Austrália já apresenta revisões baixistas para sua safra, enquanto o aumento dos custos de fertilizantes e combustíveis, associado às tensões geopolíticas internacionais, adiciona incertezas ao mercado. A questão dos fertilizantes também é monitorada na América do Sul. Como o Brasil depende de importações para cerca de 85% do consumo desses insumos, atrasos nas aquisições para a próxima safra podem afetar o potencial produtivo regional e influenciar a oferta global de grãos nos próximos ciclos. A AgResource mantém expectativa positiva para a demanda global de soja no longo prazo, apoiada pela expansão dos biocombustíveis, pelas margens favoráveis de processamento e pela perspectiva de retomada das negociações comerciais entre Estados Unidos e China.
Segundo a StoneX, a soja negociada na Bolsa de Chicago encontra sustentação na forte demanda por esmagamento nos Estados Unidos e na valorização do petróleo, mas a ampla oferta brasileira e a ausência de compras chinesas continuam limitando uma recuperação mais consistente das cotações. O mercado voltou a incorporar um prêmio de risco geopolítico após o aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã, fator que contribuiu para a alta do petróleo e para o fortalecimento do complexo de oleaginosas, especialmente do óleo de soja. Nos fundamentos, o destaque foi o esmagamento de soja nos Estados Unidos em abril, que alcançou 5,9 milhões de toneladas, superando tanto a expectativa do mercado. O desempenho reforça a demanda doméstica impulsionada pela produção de biodiesel.
As exportações norte-americanas de soja também reduziram parte do atraso acumulado e estão apenas 1% abaixo do ritmo necessário para atingir a projeção anual do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O resultado ocorre mesmo sem participação relevante da China e diante da forte presença do Brasil no mercado internacional após a colheita. A StoneX estima a safra brasileira de soja em 181,8 milhões de toneladas, dentro de uma faixa de mercado entre 178 milhões e 182 milhões de toneladas. Os embarques mensais brasileiros devem variar entre 14,5 milhões e 16,5 milhões de toneladas, mantendo elevada disponibilidade da oleaginosa no mercado global.
Nos Estados Unidos, o plantio da soja atingiu 87% da área prevista, acima da média dos últimos cinco anos, de 80%. A primeira avaliação das lavouras indicou que 66% das áreas estão em condições boas ou excelentes, abaixo da média histórica de 68%. O resultado gera questionamentos sobre a produtividade projetada pelo USDA, estimada em 3,6 toneladas por hectare, embora ainda seja considerado prematuro revisar as expectativas. A previsão de chuvas nas regiões produtoras segue favorável ao desenvolvimento das lavouras. No cenário global, a demanda continua sendo um fator relevante para os mercados agrícolas, mesmo diante da pressão exercida pela ampla oferta e pelas incertezas geopolíticas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.