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01/Jun/2026

El Niño eleva riscos para a soja e o milho no Brasil

A possível formação do fenômeno climático El Niño nos próximos meses exige atenção dos produtores brasileiros, especialmente para a safra 2026/27, mas não indica, de forma automática, risco de quebra generalizada de produção de soja e milho. A avaliação de consultores e especialistas é de que os principais impactos estão associados à irregularidade das chuvas e ao aumento das temperaturas em regiões-chave de produção agrícola. Os maiores riscos estão concentrados no Centro-Oeste, Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) e parte do Centro-Norte do Brasil, onde a distribuição irregular das precipitações pode atrasar o plantio da soja e comprometer a janela ideal de semeadura do milho 2ª safra de 2026. O cenário depende da intensidade do fenômeno, da resposta da atmosfera e do momento em que as anomalias climáticas atingirem cada região produtora. A leitura técnica indica que o El Niño não deve ser tratado como sinônimo direto de quebra de safra, mas como um fator de risco climático variável conforme a região e o estágio de desenvolvimento das culturas.

Modelos climáticos indicam aquecimento do Pacífico Equatorial, condição favorável à formação do fenômeno, com probabilidade elevada de ocorrência entre maio e julho de 2026 e continuidade entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027, segundo projeções da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA). O impacto agrícola no Brasil depende menos do volume total de chuvas e mais da distribuição temporal das precipitações. Em regiões do Centro-Oeste e Matopiba, atrasos no início da estação chuvosa ou períodos prolongados de estiagem intercalados com eventos intensos podem comprometer o estabelecimento das lavouras de soja, mesmo em cenários de volume pluviométrico próximo da média. No caso do milho 2ª safra, o risco é ampliado pela dependência direta do calendário da soja. Atrasos no plantio e colheita da oleaginosa podem deslocar a semeadura do milho para fora da janela ideal, expondo a cultura a menor disponibilidade hídrica e redução de radiação solar, com impacto potencial sobre produtividade.

Para a Região Sul do Brasil, o El Niño tende a aumentar a disponibilidade hídrica, com efeitos geralmente positivos para soja e milho safra de verão (1ª safra 2026/2027), embora eleve o risco na fase final do ciclo do trigo, com excesso de chuvas, redução de radiação solar e maior pressão de doenças. O histórico recente mostra que os impactos do fenômeno variam significativamente. Em 2016, Mato Grosso registrou queda próxima de 29% na produtividade do milho segunda safra em relação ao esperado, associada a seca e temperaturas elevadas durante um El Niño em enfraquecimento. Em 2024, com o fenômeno também em dissipação, os impactos foram mais moderados, reforçando que o efeito climático depende da intensidade e do timing de atuação. A avaliação geral é de que o El Niño eleva o risco climático para as lavouras brasileiras, mas não determina sozinho o desempenho das safras, que segue dependente da combinação entre regime de chuvas, calendário de plantio e condições locais de cada região produtora. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.