29/May/2026
Segundo a Standard Grain, o aperto do crédito rural, os juros elevados e a alta dos custos de produção no Brasil não devem provocar redução da área plantada de soja na safra 2026/27, mas tendem a acelerar o processo de consolidação no campo, com ampliação da participação de grandes produtores e saída gradual de produtores menores da atividade. O setor agrícola brasileiro atravessa um período de maior pressão financeira, influenciado pela inflação, pelo aumento dos custos de fertilizantes e pelo encarecimento do capital de giro. Mesmo diante desse cenário, a expectativa segue de manutenção da expansão da área cultivada de soja no País. Instituições financeiras brasileiras têm endurecido as exigências para concessão de crédito diante do aumento dos pedidos de recuperação judicial no agronegócio. Dados da Serasa Experian indicam que os pedidos de proteção judicial cresceram dez vezes desde 2021, alcançando cerca de 2 mil registros no último ano.
O movimento ocorre após um período de forte alavancagem financeira no pós-pandemia, quando produtores ampliaram investimentos em terras, máquinas e insumos, cenário agora pressionado pela queda dos preços das commodities, juros elevados e custos maiores de produção. O custo financeiro no Brasil permanece significativamente acima do observado nos Estados Unidos. Operações de capital de giro no agronegócio brasileiro têm sido registradas em faixas entre 10% e 20%, com muitos casos próximos de 14%, nível considerado superior ao praticado no mercado norte-americano. No segmento de fertilizantes, observa perda de força nos preços globais da ureia nas últimas semanas, mesmo diante de novas compras da Índia e do histórico de restrição de oferta associado ao Oriente Médio. O mercado passou a considerar a possibilidade de retomada das exportações chinesas, eventual reabertura do Estreito de Ormuz e o ingresso em um período sazonalmente mais calmo de demanda.
Apesar do recuo das cotações internacionais, a redução ainda não teria sido totalmente repassada ao produtor norte-americano, devido à defasagem entre os preços futuros e os preços no varejo. A expectativa é de maior acomodação dos fertilizantes no fim do verão do Hemisfério Norte, caso a trajetória de baixa seja mantida. O comportamento do mercado, contudo, permanece condicionado à evolução das tensões envolvendo Estados Unidos e Irã e à situação logística no Estreito de Ormuz. No mercado internacional de grãos, soja e milho têm acompanhado de forma mais direta as oscilações do petróleo, com movimentos de alta e baixa fortemente correlacionados à commodity energética no curto prazo. Em relação ao clima nos Estados Unidos, a perspectiva atual é considerada favorável para as lavouras, com previsão de chuvas em grande parte do cinturão produtor norte-americano. A avaliação é de ausência, neste momento, de sinais de uma nova seca ampla capaz de sustentar movimentos mais fortes de alta nos preços agrícolas por problemas de oferta. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.