28/May/2026
O mercado internacional de soja começa a reduzir as expectativas de uma onda imediata de compras chinesas de produtos agrícolas dos Estados Unidos, enquanto o clima no Meio Oeste norte-americano volta a ganhar relevância na formação dos preços futuros na Bolsa de Chicago. Segundo análise da StoneX, os sinais vindos da China ainda são insuficientes para indicar uma mudança consistente na demanda por soja americana, ao mesmo tempo em que o avanço do plantio e a melhora das condições das lavouras nos Estados Unidos ampliam a pressão sobre soja e milho. Apesar do recente acordo comercial anunciado entre Estados Unidos e China, ainda não ocorreram compras relevantes de produtos agrícolas norte-americanos por parte dos chineses.
O único movimento concreto identificado até o momento foi um leilão doméstico realizado pela estatal chinesa Sinograin envolvendo 50,9 mil toneladas de soja importada da safra velha, volume considerado reduzido e insuficiente para sinalizar ampliação das importações. As exportações norte-americanas de soja permanecem 2% abaixo do ritmo necessário para atingir a projeção anual do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). A China permanece em posição confortável para decidir tanto o momento quanto a origem das compras agrícolas, mantendo flexibilidade estratégica nas negociações internacionais.
No curto prazo, a pressão sobre as cotações vem principalmente da melhora das condições climáticas nos Estados Unidos e da queda do petróleo, em meio às negociações diplomáticas entre Estados Unidos e Irã envolvendo o Estreito de Ormuz. O mercado de grãos começa a reduzir a forte correlação observada nas últimas semanas com o conflito no Oriente Médio e volta a concentrar atenção nos fundamentos agrícolas norte-americanos. O avanço do plantio nos Estados Unidos reforça esse movimento. A soja atingia 79% da área prevista semeada, acima da média de cinco anos de 68%. No milho, o plantio alcançava 86%, frente à média histórica de 83%. A Argentina também adiciona pressão ao cenário global.
O país planeja reduzir gradualmente os impostos de exportação de soja e milho entre 2027 e 2028, movimento que poderá ampliar sua competitividade no comércio internacional. No milho, a alíquota deverá cair de 8,5% para 7,5% em 2027 e para 5,5% em 2028. Na soja, a redução prevista é de 24% para 21% em 2027 e para 15% em 2028. As perspectivas produtivas argentinas seguem robustas. As estimativas atuais indicam produção entre 64 milhões e 67 milhões de toneladas de milho e aproximadamente 50 milhões de toneladas de soja. A StoneX avalia com cautela os possíveis impactos do El Niño sobre a safra sul-americana 2026/27.
Comparações com o episódio climático de 1997/98 encontram limitações diante das profundas mudanças ocorridas na agricultura brasileira nas últimas décadas, incluindo expansão de área, avanço genético e evolução tecnológica. Na safra 1997/98, a produção brasileira de milho caiu aproximadamente 15%, enquanto a soja avançou cerca de 19%. Aplicando essas variações às estimativas atuais, o milho poderia recuar de 140 milhões para aproximadamente 118 milhões de toneladas, enquanto a soja alcançaria volumes próximos de 214 milhões de toneladas. Porém, esse tipo de comparação possui baixa confiabilidade neste momento, uma vez que os efeitos do El Niño dependerão da intensidade, duração e período de ocorrência do fenômeno climático. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.