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27/May/2026

Soja brasileira mais competitiva que norte-americana

A soja brasileira continua mais competitiva do que a norte-americana para compradores chineses, mesmo diante da pressão baixista recente provocada pela queda do petróleo e pelas sinalizações de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã. O mercado passou a precificar uma eventual reabertura plena do Estreito de Ormuz, embora ainda existam impasses relevantes nas negociações diplomáticas. Permanecem sem definição temas considerados centrais, como o destino do urânio enriquecido iraniano e as exigências americanas para garantir livre circulação de embarcações no Estreito de Ormuz sem controle ou cobrança por parte do Irã. A avaliação é de que, mesmo em caso de acordo imediato, os mercados globais de combustíveis e fertilizantes ainda devem permanecer apertados nos próximos meses, mantendo impactos indiretos sobre grãos e oleaginosas.

A retração do petróleo pressionou as cotações agrícolas na retomada dos negócios após o feriado do Memorial Day nos Estados Unidos (25/05). Parte do movimento foi intensificada por operações automáticas de fundos e algoritmos, que ampliaram o viés negativo das commodities diante das manchetes relacionadas ao conflito no Oriente Médio. As esmagadoras privadas chinesas adquiriram aproximadamente 1,5 milhão de toneladas de soja brasileira para embarques entre setembro e outubro, além de cerca de 3 milhões de toneladas da nova safra brasileira com entrega prevista para o início de 2027. O movimento reforça a avaliação de que a soja brasileira permanece mais barata do que a norte-americana inclusive para contratos futuros. Essa diferença de competitividade reduz a possibilidade de compras expressivas de soja norte-americana pela iniciativa privada chinesa.

Em um eventual avanço de aquisições de até 25 milhões de toneladas dos Estados Unidos, a operação dependeria principalmente da estatal chinesa Sinograin, voltada à formação de estoques estratégicos. No entanto, os estoques governamentais chineses já se encontram elevados, o que exigiria a realização de leilões de produto antigo para abrir espaço à soja norte-americana. A China cumpriu o compromisso anterior de compra de 12 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos no atual ano comercial, mas mantém cautela quanto à possibilidade de novos volumes expressivos. Além da soja, observa-se perdas potenciais na safra chinesa de trigo. Chuvas persistentes atingiram áreas maduras da Planície do Norte da China, principal região produtora do cereal. Relatos preliminares apontam possíveis perdas de qualidade entre 8 milhões e 10 milhões de toneladas, equivalentes a aproximadamente 6% a 7% de uma safra superior a 140 milhões de toneladas.

A dimensão efetiva dessas perdas poderá influenciar a composição das futuras compras agrícolas chinesas junto aos Estados Unidos dentro do pacote adicional estimado em US$ 17 bilhões. Quanto maiores os danos ao trigo, maior a probabilidade de ampliação das importações do cereal; em caso de perdas menores, a tendência seria de aumento das compras de milho. Nos Estados Unidos, o mercado acompanha a evolução das condições climáticas e o avanço das lavouras de milho e soja, que já atingem cerca de 50% de emergência. A previsão aponta uma semana mais quente e seca no Meio Oeste americano, dentro de um padrão climático associado ao El Niño. Ainda assim, projeções de longo prazo seguem indicando um verão relativamente ameno, reduzindo, até o momento, os riscos climáticos para as lavouras. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.