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22/May/2026

Acordo EUA-China: entraves sanitários e de oferta

O novo compromisso da China de ampliar compras agrícolas dos Estados Unidos enfrenta obstáculos relacionados a questões sanitárias, regulatórias e ao atual cenário de excesso de oferta no mercado chinês. O entendimento anunciado recentemente apresenta semelhanças com o acordo da chamada “Fase Um”, firmado há seis anos, mas em condições de mercado menos favoráveis. O governo norte-americano anunciou compromisso chinês de US$ 17 bilhões em compras agrícolas adicionais, além das aquisições de soja negociadas em outubro de 2025. Enquanto os Estados Unidos enfatizam metas de compras, a China concentra as discussões em barreiras sanitárias e comerciais impostas aos produtos chineses. Entre os pleitos apresentados pela China estão a flexibilização de restrições sobre pescados e lácteos, revisão de exigências para empresas classificadas pela FDA como infratoras regulatórias e reconhecimento sanitário de regiões livres de gripe aviária.

As divergências sanitárias também atingem o comércio de carne bovina. Autoridades chinesas justificaram suspensões de frigoríficos norte-americanos com base em preocupações relacionadas à Influenza Aviária Altamente Patogênica, após registros recentes da doença em rebanhos leiteiros nos Estados Unidos. Além disso, aproximadamente 300 carregamentos de carne bovina americana foram rejeitados pela China nos últimos 15 meses devido à presença de aditivos veterinários permitidos no mercado norte-americano, mas proibidos pela legislação chinesa. O cenário atual difere do período de expansão da “Fase Um” devido à desaceleração da demanda chinesa. As importações agrícolas totais da China recuaram de US$ 236,1 bilhões em 2022 para US$ 207,4 bilhões em 2025, em um ambiente de preços internacionais mais baixos para commodities agrícolas.

A soja continua sendo o principal item importado pela China, representando cerca de um quarto das compras agrícolas do país, mas houve mudança relevante na participação dos fornecedores. O Brasil ampliou fortemente sua presença no mercado chinês nos últimos anos. Em 2022, a soja norte-americana respondeu por cerca de US$ 19 bilhões dos US$ 63 bilhões importados pela China, enquanto o valor total das importações chinesas de soja caiu para US$ 50,4 bilhões em 2025. Na carne bovina, o avanço brasileiro também foi expressivo. As importações chinesas do produto cresceram de US$ 10,3 bilhões em 2020 para US$ 23,2 bilhões em 2025, enquanto os Estados Unidos seguem limitados a uma cota de 164 mil toneladas métricas. O próprio mercado norte-americano enfrenta restrições de oferta, levando ao aumento das importações de carne bovina brasileira neste ano.

Diversos segmentos agropecuários chineses operam em ambiente de excesso de oferta e margens reduzidas. O setor suíno enfrenta elevada capacidade ociosa e preços próximos das mínimas em 15 anos. Os segmentos de carne bovina e lácteos passaram a receber medidas de suporte governamental desde 2024, enquanto os preços dos grãos permanecem pressionados após as quedas iniciadas em 2023. Produtos como milho, sorgo, DDGS e etanol podem representar oportunidades mais concretas para exportadores norte-americanos, especialmente após problemas de qualidade causados por excesso de chuvas na safra chinesa. Ainda assim, permanecem indefinições relevantes sobre o acordo, incluindo critérios de contabilização das compras, definição dos produtos abrangidos e cronograma efetivo de implementação dos compromissos comerciais. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.