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21/May/2026

EUA: acordo entre EUA-China dá suporte ao mercado

Segundo a StoneX, a possibilidade de um novo acordo agrícola entre Estados Unidos e China adicionou suporte à soja na Bolsa de Chicago, mas ainda não elimina as dúvidas sobre volumes, origem e ritmo das compras chinesas. O anúncio de que a China compraria US$ 17 bilhões em produtos agrícolas norte-americanos entre 2026 e 2028 é positivo para o mercado, mas foi estruturado em valor, e não em tonelagem, o que dá margem de manobra à China. O ponto importante é que o acordo foi apresentado em valor de produtos agrícolas, não em toneladas. Quanto mais alto o preço, menor a tonelagem. Quanto mais baixo o preço, maior a tonelagem. A escolha desse formato é favorável à China, que preserva a possibilidade de ajustar compras conforme preços, clima e disponibilidade em outras origens. A China simplesmente se deu várias opções caso algo dê errado no futuro. O anúncio veio depois de uma primeira leitura negativa do mercado sobre a visita do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à Pequim. Inicialmente, Trump falou mais sobre um acordo envolvendo a Boeing e pouco sobre produtos agrícolas.

Só depois do retorno aos Estados Unidos, veio a informação de que a China teria se comprometido a comprar US$ 17 bilhões em produtos agrícolas norte-americanos nos próximos três anos, além dos 25 milhões de toneladas de soja mencionados em outubro. A confirmação chinesa, porém, ainda é limitada. Em outubro, o governo norte-americano também anunciou compromissos sem detalhamento imediato da China, mas as compras acabaram aparecendo depois. Por isso, o mercado monitora sinais de empresas estatais, como Cofco e Sinograin, e novas rodadas de negociação entre Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, previstas para os próximos meses. Na soja, a leitura é menos claramente altista porque a China ainda tem alternativas no Brasil e porque o próprio Ministério da Agricultura chinês reduziu a estimativa de necessidade de importação. A China passou a projetar importações de 95,5 milhões de toneladas, queda de 7,6% ante a estimativa anterior, diante da intenção de reduzir em 3,8% o plantel de matrizes suínas após excesso de oferta de carne suína e demanda fraca.

Menos matrizes significam menor consumo de farelo e, portanto, menor necessidade de importação de soja. Ao mesmo tempo, a oferta brasileira segue como referência competitiva. Produtos norte-americanos como soja, milho e trigo ainda são considerados caros por participantes de mercado, especialmente quando comparados com a soja brasileira. Se a China quiser considerar produtos dos Estados Unidos, eles terão de estar mais baratos do que o Brasil. O risco climático, porém, pode alterar essa equação. A China pode estar se posicionando antes de um eventual El Niño, caso o fenômeno afete as próximas safras brasileiras de soja e milho. Estimativas de analistas no Brasil indicam aumento de área de soja de cerca de 400 mil hectares no próximo ciclo, o menor incremento em 20 anos, em meio a preocupações com El Niño, fertilizantes, energia e margens dos produtores. Nos Estados Unidos, o plantio até agora não mostra atraso relevante. A soja estava 67% semeada, acima da média de cinco anos de 53%. O milho alcançava 76%, ante média de 70%, e o trigo de primavera, 73%, acima dos 66% da média.

Esses dados ainda não indicam problema de implantação, embora o clima dos próximos meses continue decisivo para definir produtividade. O mercado também encontra suporte na demanda interna norte-americana. O esmagamento de soja em abril, medido pela Associação Nacional dos Processadores de Oleaginosas dos Estados Unidos (Nopa), foi de 190,2 milhões de bushels de igual mês do ano passado. Além disso, a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou projeto para permitir o uso do E15, mistura de 15% de etanol na gasolina, durante todo o ano, medida que pode sustentar a demanda por milho. O cenário de guerra entre Estados Unidos e Irã e as restrições no Estreito de Ormuz seguem como fator adicional de incerteza. A volatilidade da energia se transmite aos mercados agrícolas por meio de petróleo, frete e fertilizantes. Enquanto a guerra continuar, haverá cada vez mais consideração sobre custos de energia e de fertilizantes. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.