21/May/2026
Segundo a AgResource, a soja na Bolsa de Chicago segue dependente de uma redução das tarifas chinesas sobre grãos norte-americanos para transformar o anúncio de compras agrícolas de US$ 17 bilhões pela China em demanda efetiva. A avaliação considera prematuro antecipar um movimento sustentado de alta nas cotações sem confirmação concreta de flexibilização tarifária. A China precisaria reduzir as tarifas sobre milho e trigo dos Estados Unidos de 15% para cerca de 3%, enquanto a alíquota sobre a soja teria de cair de 10% para nível semelhante para que os produtos norte-americanos recuperem competitividade plena no mercado internacional.
O mercado ainda busca confirmação efetiva da implementação do acordo comercial, mantendo postura cautelosa diante dos recentes movimentos de alta na Bolsa de Chicago. A recomendação permanece concentrada em compras em momentos de correção, sem perseguição de ralis. Na soja, o potencial de valorização tende a ser mais limitado do que em milho e trigo devido ao elevado volume de estoques existentes na América do Sul e ao fato de a possibilidade de compras chinesas já estar parcialmente incorporada aos preços da oleaginosa. Além disso, o mercado enfrenta pressão sazonal típica do período, com grande entrada de oferta nos próximos 100 a 120 dias. Os elevados estoques sul-americanos seguem como fator estrutural de limitação para movimentos mais intensos de alta.
No milho, entretanto, o impacto potencial das compras chinesas é considerado mais relevante. A AgResource estima que aquisições entre 5 milhões e 15 milhões de toneladas anuais de milho dos Estados Unidos ao longo dos próximos três anos poderiam alterar significativamente a dinâmica global do mercado. O efeito seria ampliado pela redução estimada de aproximadamente 6,8 milhões de toneladas, na produção de trigo de inverno dos Estados Unidos. No trigo, o balanço da variedade soft red winter negociada na Bolsa de Chicago tornou-se mais apertado nos últimos meses. A consultoria projeta exportações norte-americanas entre 3 milhões e 3,7 milhões de toneladas, impulsionadas pela possível demanda chinesa.
O clima também passou a exercer maior influência sobre os mercados agrícolas globais. A previsão de seca severa nas planícies do oeste dos Estados Unidos, atraso no plantio de trigo no Canadá e na Rússia e possível redução de área de milho na Europa. No Delta norte-americano e no sul do Meio Oeste, os acumulados de chuva podem alcançar aproximadamente 254 milímetros, nos próximos 10 a 14 dias, elevando o risco de alagamentos e redução da luminosidade sobre lavouras recém-plantadas. A consultoria também contextualiza o acordo comercial dentro da perda estrutural de participação dos Estados Unidos no comércio global de grãos.
A participação norte-americana caiu para cerca de 21% do mercado mundial, frente a mais de 50% em décadas anteriores. Apesar dos riscos climáticos, não há escassez imediata de oferta. Os estoques de milho dos Estados Unidos em 1º de junho podem atingir 137 milhões de toneladas, acima do registrado no ano anterior. No Brasil, a 2ª safra de milho de 2026 ganhou potencial produtivo após as chuvas recentes. No médio prazo, os custos de produção tendem a sustentar os preços agrícolas, especialmente caso persistam as restrições no Estreito de Ormuz, mantendo petróleo, gasolina e fertilizantes em patamares elevados. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.