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20/May/2026

EUA: mercado está à espera de compras chinesas

O mercado internacional de soja reagiu com cautela aos anúncios de reaproximação comercial entre Estados Unidos e China após encontro entre Donald Trump e Xi Jinping. A avaliação da consultoria StoneX é de que o acordo reduz o risco de uma nova escalada tarifária, mas ainda não altera a perda estrutural de competitividade da soja norte-americana frente à oferta sul-americana. Os anúncios feitos pelos Estados Unidos ainda não foram acompanhados de confirmação detalhada por parte da China nem de registros efetivos de compras de soja norte-americana. O mercado aguarda a formalização de vendas, programação de navios e embarques para considerar o acordo como uma mudança consistente no fluxo comercial global.

O governo norte-americano indicou possibilidade de ampliação de cerca de US$ 17 bilhões anuais nas compras chinesas de produtos agropecuários dos Estados Unidos pelos próximos três anos, excluindo soja. Além disso, as negociações mencionaram potencial aquisição adicional de 25 milhões de toneladas anuais de soja norte-americana. Porém, a China ainda não confirmou publicamente parte relevante desses compromissos, especialmente os valores financeiros. A consultoria comparou o cenário atual ao acordo comercial de “Fase 1”, firmado no primeiro mandato de Trump, quando metas amplas de compras agrícolas foram anunciadas, mas parcialmente cumpridas pela China.

Nas projeções de oferta e demanda, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estima importações chinesas de soja em 114 milhões de toneladas em 2026/27, volume 18,5 milhões de toneladas acima das projeções oficiais chinesas. O USDA também projeta esmagamento chinês superior em 16 milhões de toneladas. Caso as compras adicionais de 25 milhões de toneladas de soja norte-americana se confirmem, o balanço de oferta dos Estados Unidos ficaria mais apertado, exigindo preços mais elevados para limitar a demanda de outros destinos importadores. O cenário ocorre em meio à expansão do esmagamento doméstico e ao crescimento da demanda ligada aos biocombustíveis.

O USDA projeta esmagamento de soja nos Estados Unidos em 2,75 bilhões de bushels, equivalentes a cerca de 74,8 milhões de toneladas, em 2026/27. O número pode ser conservador caso as margens industriais permaneçam sustentadas. Os biocombustíveis passaram a representar a principal categoria de demanda do óleo de soja no mercado norte-americano. Apesar disso, a competitividade da soja norte-americana segue pressionada frente à América do Sul. A soja entregue ao mercado chinês pelos Estados Unidos está cerca de US$ 0,70 por bushel acima da concorrência sul-americana, sem considerar tarifas. O Brasil e outros países da América do Sul continuam favorecidos por safras recordes e maior competitividade de preços.

Compromissos comerciais mais amplos por valor financeiro tendem a ser mais viáveis do que metas rígidas por produto, permitindo maior flexibilidade de compra à China conforme condições de mercado. No milho, há espaço maior para eventual ampliação das compras chinesas de produtos norte-americanos. O USDA projeta estoques finais chineses do cereal em 2026/27 nos menores níveis em 13 anos, enquanto a relação estoque/uso deve atingir o menor patamar em 14 anos. Mesmo nas projeções oficiais chinesas, a produção doméstica aparece abaixo da demanda interna, indicando necessidade mais clara de importações. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.