19/May/2026
Segundo estimativa do Sindicato da Indústria de Adubos e Corretivos Agrícolas no Estado do Paraná (Sindiadubos-PR), as entregas de fertilizantes no Brasil devem recuar entre 10% e 15% em 2026, após atingirem recorde de 49 milhões de toneladas em 2025. A projeção considera fatores como conflitos geopolíticos, aumento de custos e postergação das compras por parte dos produtores rurais. De acordo com a entidade, cerca de 50% dos fertilizantes necessários para a safra de soja 2026/27 já foram negociados até o momento, percentual abaixo da média histórica superior a 60% para o período.
Esse atraso nas aquisições amplia o risco de gargalos logísticos nos portos entre junho e agosto, com possibilidade de prazos de espera para descarga de navios de até 60 dias em cenários de maior concentração de demanda. O cenário é influenciado ainda por fatores domésticos, como carga tributária sobre insumos agrícolas e custos logísticos, além de condições financeiras mais restritivas no campo, com aumento de recuperações judiciais e maior dificuldade de acesso ao crédito. Esses elementos pressionam o custo de produção e elevam o nível de risco da atividade. As estimativas indicam que o custo de produção da soja pode se aproximar de 50 a 55 sacos por hectare, frente a uma produtividade média de cerca de 60 sacos, o que reduz a margem de rentabilidade da cultura.
O ambiente de custos elevados, somado à possibilidade de eventos climáticos adversos, como um El Niño mais intenso, amplia a incerteza para a próxima safra. Os portos brasileiros estão atualmente com menor pressão logística em comparação ao ano anterior, quando já havia filas de 10 a 15 dias para atracação no mesmo período. A eventual retomada concentrada das compras de fertilizantes, no entanto, pode reverter esse quadro e gerar novos gargalos no escoamento e recebimento de insumos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.