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18/May/2026

EUA: ceticismo sobre compras de soja pela China

Os preços da soja voltaram a cair na Bolsa de Chicago na sexta-feira (15/05) depois que a viagem do presidente norte-americano, Donald Trump, a Pequim que terminou sem detalhamento de um novo pacote de compras chinesas do grão norte-americano. O mercado se decepcionou ao perceber que a questão da soja foi tratada como já resolvida pelo entendimento verbal anunciado em outubro do ano passado, sem nenhuma novidade concreta. Isso derrubou uma parte importante da expectativa que vinha sustentando os preços. A frustração veio do contraste entre a expectativa criada antes da viagem e o que de fato apareceu depois das reuniões. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, disse que a questão da soja já estaria resolvida pelo acordo de outubro, que previa compras chinesas de 25 milhões de toneladas por ano nos três anos seguintes.

Trump, por sua vez, falou em compras de “duplo dígito em bilhões de dólares” em produtos agrícolas norte-americanos, mas sem informar volume, prazo ou culturas. Isso foi pouco para um mercado que esperava algo mais concreto. A dúvida não está apenas na falta de detalhe, mas também na viabilidade do volume prometido. Com a demanda doméstica de soja em alta nos Estados Unidos por causa do avanço dos biocombustíveis, o país pode não ter oferta suficiente para exportar 25 milhões de toneladas por ano para a China sem ampliar de forma relevante a área plantada. Além disso, a soja norte-americana está cerca de US$ 1,00 por bushel mais cara do que a brasileira, antes mesmo das tarifas retaliatórias, o que reduz o apelo do produto para os compradores privados chineses. Os Estados Unidos não teremos 25 milhões de toneladas de soja para vender à China com o programa interno forte de biocombustíveis.

Se a China realmente quiser comprar soja dos Estados Unidos nesse volume, a operação teria de passar mais pela estatal Sinograin, para formação de estoques, do que pelo setor privado de esmagamento. Isso exigiria um esforço financeiro relevante da China justamente em um momento em que o governo chinês já tenta sustentar a economia. Por isso, há mais chance de uma renegociação do pacote, com parte da soja sendo trocada por compras maiores de outras commodities agrícolas norte-americanas. O relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) havia ajudado a sustentar a soja ao mostrar um balanço menos folgado do que o esperado. Mesmo assim, no curto prazo, o fator dominante passou a ser o fluxo financeiro, e não apenas os fundamentos. Preço é uma função de oferta e demanda modificada pelo fluxo de dinheiro.

A decepção com a China virou o principal gatilho para a saída de recursos do mercado neste momento. Ainda há espaço para que a China compre outras commodities norte-americanas, como milho, DDG, sorgo, trigo de melhor qualidade e até carnes, embora nada disso tenha sido detalhado até agora. Essa possibilidade continua em aberto, mas o mercado precisará de anúncios mais objetivos para reagir de forma positiva. Energia cara, inflação persistente e risco de aperto na oferta global de fertilizantes em 2027 seguem dando sustentação ao complexo agrícola. Ainda assim, a leitura é que, neste momento, a falta de avanço concreto na soja falou mais alto. Por isso, o mercado deve continuar volátil e muito sensível às próximas manchetes sobre China, energia e fluxo de dinheiro. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.