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14/May/2026

Soja: Brasil domina no abastecimento da China

A China recebe a visita do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, bem abastecida com soja brasileira e qualquer compromisso de compra de produto norte-americano, durante a reunião de cúpula, tende a ter efeito mais à frente, na safra nova, do que nas exportações imediatas. Os embarques brasileiros recordes em abril devem continuar sustentando o abastecimento chinês nos próximos meses, o que reduz a pressão por uma virada rápida para a soja norte-americana. Em abril, o Brasil exportou 16,75 milhões de toneladas de soja, recorde mensal. Desse volume, 11,58 milhões de toneladas foram destinadas à China, também no maior nível já registrado para um único mês. No acumulado de janeiro a abril, os embarques somaram 40,2 milhões de toneladas, com os chineses respondendo por 27,6 milhões, ou 69% do total. O grande volume embarcado nos últimos meses deve ser liberado pela alfândega chinesa ao longo de junho e julho, mantendo o mercado local bem abastecido por pelo menos mais dois meses.

Os Estados Unidos seguem atrás nessa disputa. As exportações norte-americanas de oleaginosa de setembro a abril totalizaram 34 milhões de toneladas, cerca de 10 milhões abaixo do mesmo período do ano anterior. As 10,7 milhões de toneladas comprados pela China dos Estados Unidos desde a cúpula de outubro vêm sendo direcionados para reservas governamentais, enquanto a indústria chinesa se prepara para processar entre 10 e 11 milhões de toneladas mensais de soja brasileira a partir de junho. A China está usando o produto brasileiro para abastecer o consumo corrente e guardando a soja norte-americana como estoque estratégico. Esse quadro esfria a ideia de que o encontro entre Trump e Xi produzirá impacto imediato nas exportações norte-americanas. Um aumento nas compras da safra 2025/26 parece improvável a essa altura do ano comercial.

Um cenário mais provável é a confirmação do compromisso verbal da China de comprar 25 milhões de toneladas de soja norte-americana anualmente nos próximos três anos. Essas compras precisariam começar em breve para evitar outra interrupção na alta temporada de comercialização da nova safra durante os meses de outono. Em abril, a valorização do Real encareceu a soja exportada em dólar e reduziu a diferença em relação ao produto norte-americano. Ainda assim, o grão brasileiro permaneceu entre 6% e 7% mais barato do que a soja norte-americana no mercado de exportação no início de maio, ante desconto de 12% no começo de março. Internamente, o preço médio pago ao produtor de soja em Mato Grosso caiu cerca de 6% em abril na comparação anual, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), reflexo da safra recorde estimada pelo USDA em 183 milhões de toneladas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.