14/May/2026
A expansão da produção de soja no Brasil e a perda de competitividade dos Estados Unidos no mercado internacional estão promovendo uma reconfiguração no complexo soja norte-americano, com maior direcionamento para o consumo doméstico e para derivados como óleo e farelo, em detrimento da exportação do grão. O avanço do esmagamento nos Estados Unidos, combinado com o crescimento da demanda por biocombustíveis, reduz a necessidade de disputa direta com o Brasil no mercado global de soja em grão. Nesse cenário, o óleo e o farelo passam a concentrar as principais oportunidades de expansão do setor norte-americano. As projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicam safra de soja de 120,7 milhões de toneladas, com estoques finais da nova temporada em nível mais apertado do que o esperado pelo mercado.
Ainda assim, o principal vetor de mudança está na composição da demanda, com maior absorção interna do grão. No mercado de óleo de soja, a demanda para biocombustíveis deve se tornar a principal categoria de consumo nos Estados Unidos em 2026/27, superando outros usos individuais do produto. Esse movimento sustenta o esmagamento em níveis recordes e reforça a redução da dependência de exportações de soja em grão para equilíbrio do mercado doméstico. O cenário global favorece o Brasil, cuja produção segue em trajetória de crescimento, com projeção de 180 milhões de toneladas no ciclo atual e 186 milhões de toneladas em 2026/27, ambos recordes. A competitividade da soja sul-americana em preços reforça a perda de espaço do produto norte-americano no comércio internacional.
Ainda no campo comercial, uma eventual ampliação das compras chinesas de soja dos Estados Unidos é considerada possível, mas com menor relevância estratégica frente a outras oportunidades. O maior potencial de demanda adicional da China estaria concentrado em milho, trigo, sorgo e grãos secos de destilaria (DDG), além de ajustes pontuais no mercado de soja. No mercado de milho, o quadro é mais favorável às exportações norte-americanas, diante da redução dos estoques chineses ao menor nível em mais de uma década. Esse fator amplia a possibilidade de acordos comerciais envolvendo o cereal, com maior alinhamento entre projeções oficiais e necessidades de importação. O cenário global de oferta de grãos segue confortável, com produção elevada na América do Sul e safra norte-americana robusta, ainda que abaixo do recorde anterior. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.