14/May/2026
A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) avalia que o avanço da mistura obrigatória de biodiesel no diesel fóssil para 16% (B16) dependerá da conclusão dos testes técnicos exigidos pelo Ministério de Minas e Energia (MME). Diante disso, a prioridade do setor passou a ser acelerar o início e a execução do protocolo de validação. Segundo a entidade, o entendimento do governo federal é de que a implementação do B16 exige comprovação formal de viabilidade técnica, conforme previsto na Lei do Combustível do Futuro. A Abiove sustenta que a regulamentação atual da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) já forneceria respaldo técnico suficiente para elevar a mistura sem necessidade de novos testes laboratoriais.
O setor reconhece, porém, que o governo optou por um protocolo mais robusto de validação técnica. O modelo em elaboração pelo MME prevê ampla estrutura operacional, incluindo utilização de quatro laboratórios independentes, grande volume de combustível e equipamentos específicos para realização dos ensaios. Segundo a Abiove, os testes anteriores que permitiram a implementação do B15 seguiram formato diferente, baseado em avaliações conduzidas diretamente pelas montadoras com combustível fornecido pelos produtores. O novo protocolo busca ampliar a independência técnica do processo por meio da participação de laboratórios externos. A entidade estima que os investimentos necessários para viabilizar os testes do B16 somem aproximadamente R$ 9,5 milhões, incluindo aquisição de combustível e estrutura laboratorial, com a maior parte dos custos sendo assumida pelo setor produtivo.
Caso a mistura B16 seja aprovada ainda em 2026, a Abiove projeta impacto relevante sobre a demanda por biodiesel. A estimativa é de aumento de aproximadamente 500 mil metros cúbicos no consumo ainda neste ano, considerando apenas seis meses de vigência. Em um ano completo, cada ponto porcentual adicional na mistura obrigatória representaria cerca de 1 milhão de metros cúbicos extras de demanda, equivalente a aproximadamente 1 bilhão de litros de biodiesel. Para atender ao aumento projetado, a entidade calcula que seria necessário ampliar o esmagamento de soja em quase 4 milhões de toneladas, o que representaria crescimento próximo de 6% sobre o volume atualmente processado pela indústria brasileira. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.