13/May/2026
No mercado interno de soja, os preços registraram alta entre R$ 1,00 e R$ 2,00 por saca de 60 Kg nesta terça-feira (12/05). O mercado de câmbio brasileiro voltou a demonstrar resiliência diante do agravamento das tensões no Oriente Médio, com o dólar encerrando mais uma sessão abaixo de R$ 4,90 mesmo em um ambiente global de fortalecimento da moeda norte-americana. O dólar encerrou a sessão desta terça-feira (12/05), próximo à estabilidade, a R$ 4,89. O comportamento do Real reforça a percepção de que fatores domésticos seguem oferecendo sustentação relevante à moeda brasileira, especialmente o diferencial de juros elevado e a melhora dos termos de troca favorecida pela alta das commodities energéticas. O avanço do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e aliados elevou significativamente a aversão global ao risco e impulsionou o petróleo Brent.
O Real conseguiu apresentar desempenho superior ao de boa parte das divisas internacionais. O Brasil segue oferecendo um dos maiores diferenciais de juros reais do mundo, o que sustenta a entrada de capital financeiro. A combinação de Selic elevada, fluxo comercial robusto e valorização das commodities ajuda a explicar por que o dólar continua sem força para retornar acima de R$ 5,00. No cenário internacional, os dados de inflação dos Estados Unidos reforçaram a expectativa de manutenção de juros elevados pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) por mais tempo. Enquanto o diferencial de juros permanecer elevado e os preços das commodities sustentados, o Real tende a continuar relativamente protegido, mesmo em um ambiente internacional mais adverso.
Os contratos futuros da soja encerraram a sessão desta terça-feira (12/05) em alta na Bolsa de Chicago, sustentados principalmente pelas primeiras projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para a safra 2026/27. O mercado reagiu à estimativa de estoques norte-americanos abaixo das expectativas e à percepção de aperto relativo na oferta global. O contrato julho avançou 1,13%, e fechou a US$ 12,26 por bushel. Mais relevante para a formação de preços foi a previsão de estoques finais de apenas 8,44 milhões de toneladas. O movimento reforça um ambiente global já marcado por maior atenção aos riscos climáticos. Nos Estados Unidos, o mercado segue monitorando as condições climáticas para junho e julho. O avanço do petróleo também ajudou a sustentar as cotações da soja. A valorização do óleo de soja acompanhou a alta do petróleo bruto, elevando a atratividade do biodiesel nos Estados Unidos.
O mercado também acompanha o encontro entre Donald Trump e Xi Jinping nesta semana. A China continua sendo o principal vetor da demanda global por soja, e qualquer sinal de retomada mais consistente das compras norte-americanas pode alterar os fluxos comerciais globais. O Brasil mantém posição confortável na oferta mundial. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta safra recorde de soja em 2025/26, próxima de 178 milhões de toneladas, enquanto os embarques seguem fortes. A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) elevou a projeção de exportações de soja em maio para quase 16 milhões de toneladas, consolidando o País como principal fornecedor global neste momento da temporada.
Em São Paulo, na região de Campinas, tradings indicam R$ 129,00 por saca de 60 Kg CIF Porto de Santos, para pagamento logo após a entrega e R$ 130,50 por saca de 60 Kg CIF, para pagamento no fim do mês. Para a safra 2026/27, as indicações de tradings seguem no patamar de R$ 131,00 por saca de 60 Kg CIF Porto de Santos, para entrega em fevereiro de 2027. Em Mato Grosso, na região de Sorriso, as indicações de compra mais altas chegam a R$ 106,00 por saca de 60 Kg FOB, para embarque imediato e pagamento em até 30 dias. Para safra 2026/27, as exportadoras indicam R$ 109,00 por saca de 60 Kg CIF.
Fonte: Cogo Inteligência em Agronegócio.