13/May/2026
Os contratos futuros da soja encerraram a sessão desta terça-feira (12/05) em alta na Bolsa de Chicago, sustentados principalmente pelas primeiras projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para a safra 2026/27. O mercado reagiu à estimativa de estoques norte-americanos abaixo das expectativas e à percepção de aperto relativo na oferta global, em um momento de maior sensibilidade do mercado climático e geopolítico. O contrato julho avançou 1,13%, e fechou a US$ 12,26 por bushel, recuperando parte das perdas recentes. O principal suporte veio do relatório mensal de oferta e demanda do USDA, que projetou produção norte-americana de 120,70 milhões de toneladas em 2026/27, levemente abaixo da expectativa do mercado.
Mais relevante para a formação de preços foi a previsão de estoques finais de apenas 8,44 milhões de toneladas, volume inferior ao consenso dos analistas e interpretado como sinal de menor folga no balanço norte-americano. O movimento reforça um ambiente global já marcado por maior atenção aos riscos climáticos. Nos Estados Unidos, embora o plantio avance em ritmo acelerado, o mercado segue monitorando as condições climáticas para junho e julho, período decisivo para o desenvolvimento das lavouras. Relatórios recentes apontam que o Corn Belt ainda apresenta condições razoáveis de umidade, mas qualquer deterioração pode alterar rapidamente as expectativas de produtividade. Além do USDA, o avanço do petróleo também ajudou a sustentar as cotações da soja.
A valorização do óleo de soja acompanhou a alta do petróleo bruto, elevando a atratividade do biodiesel nos Estados Unidos. Esse fator ganha importância em um contexto de maior tensão energética global, impulsionada pelos conflitos no Oriente Médio e pelas restrições logísticas no Estreito de Ormuz, que seguem afetando cadeias globais de energia e fertilizantes. No cenário internacional, o mercado também acompanha com atenção o encontro previsto entre Donald Trump e Xi Jinping em Pequim nesta semana. A China continua sendo o principal vetor da demanda global por soja, e qualquer sinal de retomada mais consistente das compras norte-americanas pode alterar os fluxos comerciais globais. Apesar do otimismo inicial de parte dos operadores, ainda prevalece cautela sobre resultados concretos das negociações.
Enquanto isso, o Brasil mantém posição confortável na oferta mundial. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta safra recorde de soja em 2025/26, próxima de 178 milhões de toneladas, enquanto os embarques seguem fortes. A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) elevou nesta semana sua projeção de exportações de soja em maio para quase 16 milhões de toneladas, consolidando o País como principal fornecedor global neste momento da temporada. Mesmo assim, a combinação de estoques norte-americanos menores, petróleo valorizado, incertezas geopolíticas e atenção ao clima mantém o mercado internacional mais sensível a movimentos altistas no curto prazo. O comportamento da demanda chinesa e a evolução do clima no Hemisfério Norte devem continuar sendo os principais direcionadores das cotações nas próximas semanas.