12/May/2026
Segundo o Itaú BBA, o mercado global de soja segue sustentado pela valorização do óleo de soja e pelas expectativas em torno das negociações comerciais entre Estados Unidos e China, mas a ampla oferta mundial e o avanço acelerado do plantio norte-americano limitam movimentos mais intensos de alta na Bolsa de Chicago. O clima nos Estados Unidos permanece favorável ao desenvolvimento inicial da safra 2025/26. O plantio da soja já alcançou 33% da área prevista, acima dos 28% registrados no mesmo período de 2025 e da média histórica de cinco anos, de 23%. A previsão de chuvas mais volumosas na segunda quinzena de maio deve manter a umidade do solo em níveis adequados, reduzindo o prêmio de risco climático no mercado internacional.
No balanço global, o Itaú BBA projeta produção mundial de soja de 427 milhões de toneladas em 2025/26, praticamente estável em relação ao ciclo anterior. Os estoques finais são estimados em 125 milhões de toneladas, com relação estoque/consumo de 29%, cenário considerado confortável para o abastecimento. O principal vetor de sustentação das cotações segue concentrado nos derivados. As margens de esmagamento continuam atrativas em diferentes regiões, especialmente nos Estados Unidos, onde a demanda pelo processamento permanece elevada. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) revisou para cima a projeção de esmagamento da safra 2025/26 para 71 milhões de toneladas, volume 7% superior ao ciclo anterior.
A valorização do petróleo também fortalece o mercado de óleo de soja, elevando a participação do derivado na receita do esmagamento, conhecida como oil share, para 51%. Em abril, o óleo de soja avançou 6% na Bolsa de Chicago, para 69,70 centavos de dólar por libra-peso, enquanto o farelo subiu 2,4%, para US$ 325,00 por tonelada. No campo geopolítico, a reunião entre o presidente norte-americano, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping, em Pequim, pode trazer viés positivo às cotações caso haja sinalização de retomada mais consistente das compras chinesas de soja norte-americana para a safra 2026/27. Ainda assim, a forte concorrência da oferta brasileira e a demanda internacional mais cautelosa tendem a limitar ganhos mais expressivos. Para os derivados, o avanço da colheita argentina deve ampliar a oferta de óleo e farelo nas próximas semanas, aumentando a concorrência no mercado internacional e pressionando os prêmios de exportação, especialmente para o farelo de soja.
No Brasil, a safra de soja é estimada em 180 milhões de toneladas, alta de 4% em relação ao ciclo anterior. Em abril, a comercialização atingiu 55% da produção, equivalente a cerca de 99 milhões de toneladas. Porém, a compra de fertilizantes para a safra 2026/27 segue abaixo da média histórica, alcançando 54% do volume projetado, ante média de 61% nos últimos cinco anos. Em abril, a soja registrou estabilidade na Bolsa de Chicago, com média de US$ 11,67 por bushel, recuo de 0,4% em relação a março. No mercado doméstico, a média em Sorriso (MT) ficou em R$ 101,60 por saca de 60 Kg. O óleo de soja em Mato Grosso avançou 4%, para R$ 6.066,00 por tonelada, enquanto o farelo em Rondonópolis (MT) subiu 6%, para R$ 1.585,00 por tonelada. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.