12/May/2026
Segundo o Itaú BBA, o avanço da colheita de soja na Argentina deve ampliar a pressão sobre os derivados da oleaginosa nas próximas semanas, especialmente sobre o farelo. A expectativa é de aumento da oferta sul-americana, com impacto sobre os prêmios de exportação e intensificação da concorrência com o produto brasileiro no mercado internacional. O cenário ocorre após um abril marcado por valorização do óleo de soja na Bolsa de Chicago, margens favoráveis de esmagamento e demanda firme. O derivado foi o principal fator de sustentação do complexo no período. A média do óleo de soja subiu 6% ante março, alcançando 69,70 centavos de dólar por libra-peso. O movimento foi impulsionado pela valorização do petróleo e pela expectativa de demanda aquecida do setor de biocombustíveis nos Estados Unidos, fatores que mantiveram o óleo competitivo frente a outros óleos vegetais.
A valorização do óleo também elevou sua participação na receita do esmagamento, conhecida como oil share, reforçando a atratividade das margens industriais. O aumento do peso do óleo na composição da receita estimula o esmagamento da soja, sustenta a demanda pelo grão e influencia a formação de preços de todo o complexo. O farelo de soja também apresentou recuperação em abril, mesmo em um ambiente global ainda confortável em termos de oferta. Na Bolsa de Chicago, o derivado encerrou o mês de abril com média de US$ 325,00 por tonelada, alta de 2,4% ante março e terceira valorização mensal consecutiva após as mínimas registradas em janeiro. A demanda pelo farelo continua firme, incluindo revisão para cima do consumo norte-americano pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), de 38,5 milhões de toneladas para 39,2 milhões de toneladas na safra 2025/26.
No mercado brasileiro, os derivados acompanharam o movimento externo, embora a valorização do real tenha limitado parte dos repasses aos preços domésticos. O óleo de soja subiu 4% em Mato Grosso, para R$ 6.066,00 por tonelada, sustentado pela demanda interna. O farelo avançou 6% em Rondonópolis (MT), alcançando R$ 1.585,00 por tonelada. Para as próximas semanas, entretanto, o balanço de forças tende a mudar. A expectativa de reabertura gradual do Estreito de Ormuz e de normalização parcial da oferta global de energia provocou realização de lucros no complexo de óleos vegetais, reduzindo parte do prêmio de risco acumulado anteriormente. No mercado doméstico, o óleo de soja também passou a sofrer impacto da piora da paridade de exportação, dos prêmios enfraquecidos e da valorização do Real. A curva de preços na Bolsa Chicago segue invertida, com contratos de curto prazo acima dos vencimentos mais longos, sinalizando percepção de oferta confortável de óleo nos próximos meses.
Mesmo com atrasos na colheita argentina em razão das chuvas, os prêmios seguem pressionados, refletindo expectativa de aumento significativo da disponibilidade sul-americana. O impacto mais intenso tende a ocorrer no farelo. O avanço da colheita argentina deve ampliar de forma relevante a oferta global do derivado, pressionar os prêmios de exportação e elevar a concorrência direta com o farelo brasileiro. Para 2026/27, o Itaú BBA segue trabalhando com cenário de ampla oferta global de soja. Estados Unidos, Brasil e Argentina devem caminhar para mais um ciclo de elevada disponibilidade de grãos e derivados, quadro que tende a limitar movimentos mais intensos de alta, mesmo em um ambiente ainda sensível ao petróleo, aos biocombustíveis e ao ritmo de esmagamento. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.