11/May/2026
A indústria de sementes de soja, que movimenta mais de R$ 30 bilhões no Brasil por ano, vive um momento de atenção. Com o cenário de margens apertadas para o agricultor e de alta dos custos devido à guerra no Oriente Médio, representantes do segmento relatam atrasos na decisão dos produtores sobre as compras para a safra 2026/27 e evitam arriscar projeções para o próximo ciclo. Segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Sementes de Soja (Abrass), as questões geopolíticas relacionadas a custo, especialmente fertilizantes, geram um ambiente de incerteza e atrasam a comercialização. Apesar do atraso na tomada de decisão dos produtores, ainda é cedo para fazer uma projeção sobre o desempenho do ano. A perspectiva, no entanto, é de que, no ciclo 2026/27, haja mais equilíbrio entre oferta e demanda, diferentemente do que ocorreu em 2025.
O ano passado foi, em termos climáticos, perfeito para se produzir não só sementes como grãos. Houve uma supersafra, e obviamente isso levou a uma oferta expressiva. Para a Agroconsult, a área de cultivo de soja não vai crescer no Brasil na temporada 2026/27. A área continuará em 49 milhões de hectares. Apesar de a expansão ter se desacelerado nos últimos anos, a área de cultivo ainda tem potencial para crescer no Brasil, especialmente em pastagens. Esse aumento dependerá de questões como demanda, rentabilidade e cenário geopolítico. Ainda que a semente salva seja uma prerrogativa legal do agricultor, o crescimento da produção de sementes fez com que, no ano passado, o mercado ficasse “estressado” em termos de oferta. Mas este ano já é uma realidade bastante diferente, porque houve um período de colheita extremamente chuvoso, especialmente no Cerrado.
O clima afeta a qualidade das sementes, o que tem um impacto importante na oferta. E, se esse impacto é importante na indústria de sementes certificadas, é ainda maior na semente salva, por causa de questões de infraestrutura de produção. Na sementeira Ouro Verde, que produz sementes em Minas Gerais há 50 anos, o ritmo de comercialização está abaixo do normal para esta época do ano. A empresa cita o aperto no crédito como a principal preocupação do setor no momento, mas acredita que o cenário tende a evoluir a partir de maio. O preço de adubo subiu muito, nos químicos também há uma alta considerável, então fica a dúvida de qual vai ser o tamanho do investimento do produtor na próxima safra. A Ouro Verde tem capacidade de processar cerca de 500 mil sacas de sementes de soja ao ano. O volume de sementes disponíveis para venda caiu 30% em relação à safra passada.
Localizada em Formosa (GO), a Triunfo Sementes produz 800 mil sacas de sementes de soja ao ano. A alta inadimplência e a série de pedidos de recuperação judicial levaram a empresa “se expor menos”. O foco é margem e dinheiro em caixa. No ano passado, não sobrar estoque foi o foco principal, e a empresa acabou se expondo muito. Neste ano, o foco é em vendas saudáveis. A empresa vinha investindo, a cada ano, cerca de 5% de seu faturamento em expansão. Para este ano, a expansão é zero. Por outro lado, a adoção do tratamento de sementes na companhia deve crescer entre 10% e 15%. Apesar das dificuldades, 60% da produção já foi negociada para a próxima safra, ritmo que considera normal. Fonte: Globo Rural. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.