08/May/2026
De acordo com dados de relatório divulgado nesta quinta-feira (07/05) pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), cada tonelada de soja produzida e processada no Brasil gerou R$ 7.608,00 em Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, 4,09 vezes mais do que os R$ 1.862,00 gerados quando o grão foi produzido e exportado diretamente, sem passar pela indústria. O dado dimensiona o efeito da industrialização sobre a economia. Quando a soja é produzida e exportada diretamente, a geração de PIB na economia brasileira para dentro da porteira.
Quando mais soja é direcionada para o processamento, há uma continuidade desse processo de geração de PIB diretamente nas indústrias. Na prática, a soja proporciona mais renda quando deixa de ser apenas grão exportado e passa a ser transformada em óleo, farelo, biodiesel e rações. Esse processo movimenta fábricas, transporte, armazenagem, comercialização e serviços de apoio. Por isso, o ganho não fica concentrado no campo ou na indústria, mas se espalha por outras etapas da cadeia. Esse movimento é chamado de "efeito cadeia". Uma safra maior gera PIB dentro da porteira, mas o impacto é ampliado quando parte maior do grão segue para o processamento.
É possível alcançar um crescimento desse porte quando há um bom resultado no campo e principalmente quando se estimula o processamento. O esmagamento e refino avançou 5,15% em volume em 2025, sustentado pela disponibilidade de grão e pela demanda por derivados. O biodiesel cresceu 8,51%, impulsionado pela elevação da mistura obrigatória no diesel de 14% para 15% a partir de 1º de agosto. As rações subiram 2,80%, com apoio das vendas ao setor de aves. No agregado, a agroindústria cresceu 5,21% em volume, desempenho que Nicole classificou como forte para o setor industrial. O efeito do processamento também aparece no mercado de trabalho.
A soja produzida e processada gerou 26,3 trabalhadores por mil toneladas em 2025, 4,26 vezes mais do que os 6,2 associados à exportação direta do grão. No total, a cadeia ocupou 2,39 milhões de pessoas, alta de 5,52% ante 2024. O crescimento veio principalmente dos agrosserviços, que passaram de 1,56 milhão para 1,72 milhão de pessoas ocupadas. Esse grupo reúne atividades necessárias para que a cadeia funcione, como transporte, armazenagem, comércio e serviços técnicos. Os insumos também ampliaram o contingente, para 145,5 mil trabalhadores, e o biodiesel registrou alta de 2,49%, para 17,3 mil pessoas. Apesar da safra recorde, a ocupação caiu na produção de soja, de 466,2 mil para 434,2 mil pessoas. O movimento é compatível com o padrão da agricultura moderna.
Se ocupa cada vez menos pessoas para produzir volumes cada vez maiores por conta da forma de evolução e modernização que tem acontecido na cultura da soja. Também houve redução no esmagamento e refino, de 33,4 mil para 30,8 mil pessoas, e nas rações, de 38,6 mil para 37,8 mil. A queda na indústria pode refletir uso de capacidade ociosa e adoção de tecnologias que permitem produzir mais sem aumento proporcional de trabalhadores. Com os resultados de 2025, a cadeia respondeu por 10,21% das pessoas ocupadas no agronegócio e por 2,34% do emprego total do País. Os dados reforçam que o processamento amplia o impacto econômico da soja ao estender a geração de valor para além da produção rural. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.