07/May/2026
A expectativa de um possível acordo entre Estados Unidos e Irã reduziu parte do prêmio de risco incorporado aos mercados de soja, milho e trigo, mantendo, no entanto, elevada volatilidade diante das incertezas envolvendo o Estreito de Ormuz. O movimento recente reflete a sensibilidade dos preços agrícolas às oscilações do cenário geopolítico e energético. A reação negativa das cotações diante de sinais de negociação indica a presença de prêmio de guerra nos mercados, com ajustes rápidos conforme novas informações sobre o conflito e o fluxo marítimo no Oriente Médio. O comportamento reforça a influência de fatores externos de curto prazo sobre os preços das commodities agrícolas. A dinâmica do petróleo permanece como variável relevante, com oscilações expressivas refletindo mudanças na percepção de risco.
A recente queda nas cotações da energia, associada à possibilidade de acordo, contribuiu para pressão sobre matérias-primas, embora os fundamentos agrícolas continuem determinantes no médio prazo. No mercado de soja, há risco de liquidação de posições compradas por fundos em caso de redução das tensões geopolíticas. Estima-se que investidores estejam posicionados entre 480 mil e 500 mil contratos somando soja, milho e trigo na Bolsa de Chicago, o que amplia a sensibilidade dos preços a movimentos de saída de capital especulativo. Os fundamentos globais seguem caracterizados por ampla oferta de grãos e oleaginosas, limitando movimentos de alta mais consistentes. Esse cenário reforça a orientação de avanço em estratégias de comercialização em momentos de recuperação de preços, diante do risco de correções negativas. No milho, a melhora das condições climáticas no Brasil contribui para recuperação do potencial produtivo da 2ª safra de 2026, especialmente em regiões como Paraná e Mato Grosso do Sul.
A expectativa é de produção elevada e exportações entre 43 milhões e 44 milhões de toneladas, próximas aos volumes observados nos últimos anos, com aumento do consumo interno impulsionado pela expansão do etanol. Nos Estados Unidos, houve redução das áreas sob seca em regiões produtoras, embora persistam riscos climáticos pontuais. Chuvas recentes em áreas do Delta e Sudeste favoreceram o desenvolvimento das lavouras, com parte das áreas entrando em fase de polinização no início de junho. No médio prazo, apenas uma interrupção prolongada no fluxo pelo Estreito de Ormuz teria potencial de alterar de forma mais significativa o balanço global, especialmente pelos impactos sobre energia, fertilizantes e custos de produção. Na ausência desse cenário, a oferta confortável tende a seguir como principal limitador de altas mais intensas nos preços dos grãos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.