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07/May/2026

Produtor brasileiro reduzindo vendas antecipadas

Segundo a Argus, o produtor brasileiro de soja tem vendido cada vez menos de forma antecipada e mais conforme a necessidade de caixa, o que ajuda a explicar o ritmo ainda abaixo da média histórica de comercialização da safra recorde 2025/26. Cerca de 103 milhões de toneladas haviam sido negociadas até o fim de abril, o equivalente a 58% da projeção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O produtor não vende mais antecipadamente. Ele vende bastante da mão para a boca. O percentual está em linha com o observado no mesmo período do ano passado, mas abaixo da média histórica, superior a 60% para esta época do ano. Como a safra atual é recorde, o ritmo mais lento deixa um volume maior de soja ainda disponível. Existe uma quantidade muito grande de soja ainda na mão do produtor. O ponto de atenção é a pressão sobre a armazenagem, já limitada no País, com a proximidade da colheita da 2ª safra de milho de 2026, prevista para começar em meados de maio.

A comercialização começou o ano pressionada por preços baixos, dólar mais fraco, futuros da Bolsa de Chicago em queda e demanda chinesa retraída. O ritmo também foi prejudicado por problemas fitossanitários em carregamentos enviados à China, com presença acima do usual de grãos avariados e problemas de contaminação, o que travou negócios. Em março e abril, as vendas ganharam tração com a valorização do câmbio e a necessidade de caixa do produtor. Quando o dólar está alto, é o momento em que o produtor vende. O comportamento mais reativo do produtor torna a comercialização dependente do câmbio, dos prêmios e das obrigações financeiras de curto prazo. O prazo de pagamento de 30 de abril estimulou as negociações no fim do mês passado, mesmo após a perda de força do dólar. Nas semanas seguintes, a queda da moeda norte-americana voltou a desacelerar o ritmo de vendas.

A China continua como principal fator de sustentação e risco para a soja brasileira. O país asiático compra cerca de 70% da soja exportada pelo Brasil desde 2020, enquanto o Brasil responde por aproximadamente 60% das compras chinesas anuais da oleaginosa. Essa dependência é mútua, porque nenhum outro fornecedor tem capacidade de substituir o volume brasileiro. A demanda chinesa, porém, tem oscilado. As compras para maio já estavam fechadas e as de junho estavam perto disso, mas julho e agosto ainda tinham volumes abaixo do esperado. A retração recente ocorreu porque a soja brasileira ficou mais cara e as indústrias chinesas de esmagamento perderam margem, pressionadas pelos preços baixos do farelo. Participantes de mercado esperam retomada das compras nas próximas semanas, quando os embarques de maio chegarem à China e ajudarem a recompor as margens das indústrias.

Mesmo com a safra recorde, os prêmios portuários brasileiros não chegaram aos descontos esperados. Em outubro/2025, havia expectativa de repetição dos descontos recordes da safra 2022/23, quando chegaram a cerca de 200,00 centavos de dólar por bushel. Mas, isso não aconteceu. A sustentação veio da demanda aquecida por soja e óleo de soja em determinados momentos, além dos efeitos da guerra no Oriente Médio sobre fretes e preços do complexo de combustíveis. O conflito elevou o custo de transporte nas rotas entre Brasil e China e, em um primeiro momento, levou compradores chineses a interromper compras. Ainda assim, câmbio, demanda e óleo de soja impediram uma queda mais intensa dos prêmios. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.