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07/May/2026

Brasil: área de soja deve avançar na safra 2026/27

Segundo a Argus, a área plantada de soja no Brasil deve voltar a crescer na safra 2026/27, mas em ritmo marginal diante de margens apertadas, fertilizantes caros e risco climático elevado. A primeira projeção do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) para Mato Grosso indica avanço inferior a 0,3%, como sinal de uma tendência que pode se repetir no País. A demanda crescente por soja, pela China e para processamento interno ligado ao biodiesel, continua incentivando o produtor a ampliar a área cultivada. O avanço, porém, tende a ser menor que em ciclos anteriores.

As margens do produtor estão apertadas porque os preços da soja são pressionados pelo excesso de oferta, enquanto os fertilizantes permanecem em níveis elevados. O problema é mais sensível para a oleaginosa porque o cultivo depende principalmente de adubos fosfatados, cujos fornecedores enfrentam dificuldades simultâneas: problemas logísticos na Arábia Saudita, queda de produção no Marrocos, suspensão das exportações pela China e disparada do preço do enxofre, matéria-prima exportada em grande parte pelo Oriente Médio e essencial na fabricação desse tipo de insumo.

As notícias não são muito boas. Primeiro, porque as margens do produtor estão bastante apertadas. A alta dos fertilizantes piorou a relação de troca no Brasil, indicador que mede quantas sacas de soja o produtor precisa comprometer para adquirir 1 tonelada de adubo. O índice está nos níveis mais desfavoráveis ao produtor desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022. Esse quadro tem travado as negociações de insumos. Até o fim de abril, os produtores haviam comprado menos de 50% do volume planejado de fertilizantes para a safra 2026/27, ante cerca de 60% no mesmo período do ano passado.

O atraso preocupa porque o produto ainda precisa chegar aos portos brasileiros e ser transportado até as fazendas. Com o avanço do outono e a perspectiva de mais chuvas na Região Sul, o descarregamento portuário também pode enfrentar dificuldades. O mercado já discute redução média de 15% nas entregas ao Brasil neste ano, sobretudo em produtos fosfatados. O clima é outro ponto de atenção. Dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) indicam mais de 90% de chance de El Niño ativo na segunda metade do ano, justamente durante o plantio da soja no Brasil.

O fenômeno costuma reduzir precipitações na Região Centro-Oeste e aumentar as chuvas na Região Sul, as duas principais regiões produtoras do País. O risco é maior para Mato Grosso, que sozinho responde por cerca de 30% da produção brasileira de soja. É muito provável que haja uma redução das produtividades em Mato Grosso caso o El Niño tenha força. Porém, as projeções climáticas ainda podem mudar e outros fenômenos também influenciam o regime de chuvas, mas, com base apenas no El Niño, há risco relevante de perdas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.