07/May/2026
Segundo a Argus, os novos mandatos de biocombustíveis nos Estados Unidos para 2026 e 2027 aqueceram a demanda por óleo de soja no mercado norte-americano e abriram uma distância maior em relação aos preços no Brasil e na Argentina. Esse movimento ajuda a sustentar o valor da soja nos Estados Unidos, mas não muda um ponto central do comércio internacional: o grão brasileiro continua mais competitivo para exportação à China. A alta do óleo nos Estados Unidos decorre da expansão do consumo doméstico de matérias-primas para biodiesel, diesel renovável e combustível sustentável de aviação. Como o óleo é um dos principais produtos extraídos da soja, essa maior demanda melhora a conta da indústria norte-americana e ajuda a sustentar o preço do grão no mercado interno. Nos Estados Unidos, o óleo de soja é o grande pilar da indústria de biodiesel, do diesel renovável e do SAF. Do lado da exportação, porém, a lógica é outra.
A correlação histórica entre os preços de exportação de soja dos Estados Unidos e do Brasil, com referência no Porto de Paranaguá (PR), deixou de existir no fim de 2025. Desde então, o preço norte-americano se aproximou mais do valor pago pela China no destino final, enquanto o brasileiro preservou vantagem. Essa correlação deixou de existir no fim do ano passado. Hoje, o preço dos Estados Unidos está muito mais próximo do preço da China do que do preço do Brasil. Essa comparação não depende só do preço no porto. O frete também pesa, e as rotas entre Brasil e China e entre Estados Unidos e China ficaram mais caras com a guerra no Oriente Médio e a alta dos seguros marítimos. Para o Brasil, a Argus estima produção de 184 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26. Ao mesmo tempo, o avanço dos mandatos de biodiesel no País deve manter o óleo de soja como principal matéria-prima do setor, com participação estimada em cerca de 70% em 2026, ante 74% em 2025. Na prática, isso significa que uma parcela maior do óleo tende a ficar no mercado interno.
A capacidade industrial atual é suficiente para atender o crescimento da demanda doméstica, mas o impacto é que as exportações de óleo de soja começam a perder espaço. No farelo, a leitura é diferente. A Argentina voltou a ganhar competitividade no mercado externo após recuperar a safra de uma seca anterior. Com mais produto disponível, o farelo argentino ficou mais barato do que o brasileiro no mercado spot. No Brasil, o esmagamento em nível recorde ampliou a oferta, mas esse volume vem sendo absorvido pela demanda da indústria de proteína animal, principalmente aves e suínos. No cenário global, o mandato B50 da Indonésia, que elevou a mistura de biodiesel e ampliou a demanda por óleo de palma. Como o óleo de palma influencia o comportamento dos demais óleos vegetais no mercado internacional, esse movimento também tem efeito sobre a soja. Nos Estados Unidos, acrescentou, uma mudança regulatória recente removeu penalidades sobre o óleo de canola, que começa a ganhar espaço como matéria-prima para biocombustíveis e passa a disputar espaço com o óleo de soja. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.