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07/May/2026

Biodiesel cada vez mais dependente do óleo de soja

Segundo a Argus, o mercado brasileiro de biodiesel tende a ficar mais dependente do óleo de soja à medida que outras matérias-primas migrem para combustíveis de maior valor agregado, como o combustível sustentável de aviação (SAF) e o diesel renovável (HVO). O movimento ocorre em um momento em que a guerra entre Estados Unidos e Irã inverteu uma relação histórica de preços: pela primeira vez, o biodiesel ficou mais barato que o diesel S10. De 2017 a 2025, a produção brasileira de biodiesel passou de 4 milhões para quase 10 milhões de metros cúbicos. No mesmo período, a participação do óleo de soja nessa produção subiu de 69% para 73%, e a fatia da produção brasileira de óleo destinada ao biodiesel passou de 30% para 56%. A tendência é de aprofundamento dessa dependência, porque matérias-primas alternativas hoje usadas no biodiesel devem ser redirecionadas a mercados como SAF e HVO. O mercado de biodiesel provavelmente vai ficar ainda mais dependente do óleo de soja.

No mesmo período, o preço do óleo de soja saiu de cerca de R$ 2.500,00 por tonelada para quase R$ 6.000,00 por tonelada. A expectativa é que o óleo se valorize cada vez mais justamente pela maior necessidade do mercado de biodiesel. A demanda crescente por óleo de soja se conecta à discussão sobre a elevação da mistura obrigatória. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, em 30 de abril, que o governo anunciaria aumento da mistura de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% e sinalizou avanço do biodiesel no diesel de 15% para 16%. O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), cuja próxima reunião foi adiada para o dia 11 de maio, deve deliberar sobre o tema. O histórico recente do setor é de baixa previsibilidade. A mistura obrigatória está em 15% desde agosto de 2025. O governo condicionou novos avanços a testes de viabilidade técnica para verificar a compatibilidade das misturas com motores de veículos e máquinas.

Um cronograma divulgado em novembro previa conclusão da primeira fase de testes entre agosto de 2026 e janeiro de 2027. Em discussões recentes com grupo de trabalho do Ministério de Minas e Energia (MME), foi apresentado novo prazo, com conclusão entre 31 de março e 31 de julho de 2027. Não há previsibilidade para esse mercado. A guerra entre Estados Unidos e Irã também mudou a relação de preços entre diesel e biodiesel. No pico recente, o diesel S10 no Porto de Paranaguá (PR) chegou a quase R$ 6.500,00 por metro cúbico, enquanto o biodiesel no mercado à vista em Araucária (PR) ficou em torno de R$ 5.500,00 por metro cúbico. Os contratos bimestrais na região Paraná-Santa Catarina ficaram próximos de R$ 4.800,00 por metro cúbico. Historicamente, o preço do biodiesel é mais caro do que o preço do diesel. Isso mudou no início da guerra entre Rússia e Ucrânia e, mais recentemente, com a guerra entre Estados Unidos e Irã. A inversão deu mais força ao argumento do setor produtivo em defesa de uma mistura maior, em um momento de volatilidade do petróleo e preocupação com a dependência de diesel importado. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.