07/May/2026
Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), o Brasil já tem condição técnica para elevar a mistura obrigatória de biodiesel no diesel de 15% para 16% sem prejuízo ao consumidor. O avanço para B16 deve ser tratado como parte de uma política contínua de substituição do diesel importado, e não apenas como uma resposta temporária à alta do petróleo. O biodiesel deve ser visto como um processo contínuo de substituição. O Brasil ainda importa entre 20% e 25% do diesel que consome, o que reforça o papel dos biocombustíveis na segurança energética. A regra atual de fiscalização da mistura já permite variação de 0,5% em torno do B15. Na prática, isso significa que o combustível pode ser encontrado na bomba entre 14,5% e 15,5% de biodiesel.
Quando se fala de 16% de biodiesel, trata-se, estritamente, de mais 0,5% em relação ao que já pode ser verificado na bomba. Os laudos de qualidade mostram que o biodiesel entregue por usinas e distribuidoras tem nível de contaminantes abaixo do limite permitido para a mistura atual. Do ponto de vista da política pública é possível ter o B16 sem nenhum tipo de prejuízo para o consumidor. Os testes completos para misturas superiores, como B20 e B25, continuam relevantes, mas separou essa discussão do avanço imediato para B16. A discussão ocorre em meio à expectativa sobre decisões do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) para biocombustíveis. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou em 30 de abril que o governo anunciaria aumento da mistura de biodiesel no diesel de 15% para 16% e de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%.
A fala do presidente Lula não deve ser desconectada do trabalho técnico feito pelo setor há muito tempo. Além do mandato obrigatório, a Abiove cobrou a remoção de entraves ao uso voluntário de biodiesel acima da mistura mínima. A lei aprovada em dezembro de 2024 prevê que esse uso seja apenas comunicado à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), mas a agência ainda aguarda a revogação de uma resolução do CNPE para aplicar a regra. A expectativa é de que, pelo menos com essa reunião do CNPE, isso se resolva. Há empresas interessadas em usar misturas maiores em veículos de apoio, rodovias, ferrovias e portos, mas que essa demanda ainda não está integrada às demais políticas de descarbonização. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.