07/May/2026
A Associação Americana de Soja (ASA) alertou que novas ações comerciais dos Estados Unidos podem agravar as pressões econômicas sobre os produtores rurais. Ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) a entidade destacou que a soja é o principal produto agrícola exportado pelo país e que a manutenção de um comércio robusto é prioridade para o setor que enfrenta um cenário de margens negativas, com produtores de soja projetando uma perda de mercado de US$ 117,00 por acre em 2026, enquanto os custos de produção seguem elevados. As despesas de produção agrícola devem atingir US$ 477,7 bilhões neste ano, um aumento de US$ 4,6 bilhões em relação a 2025.
No ano comercial 2024/2025, os exportadores norte-americanos embarcaram 68,7 milhões de toneladas do complexo soja (grão, farelo e óleo), totalizando US$ 29,6 bilhões em receita, o que representou 58% da produção total de soja dos Estados Unidos. Foram ressaltados os danos causados por disputas comerciais passadas, com queda de 76% no valor das exportações para a China durante o conflito de 2018. O mercado chinês, embora tenha reduzido sua participação, ainda é o maior destino individual, tendo importado quase 23 milhões de toneladas de soja no último ciclo, gerando US$ 9,8 bilhões em receita.
A preocupação da ASA é que as investigações da Seção 301 (mecanismo da lei de comércio que permite aos Estados Unidos investigar e retaliar práticas comerciais estrangeiras consideradas desleais) sobre excesso de capacidade produtiva em diversos países resultem em retaliações e na imposição de tarifas ainda mais altas contra o grão norte-americano, prejudicando a competitividade frente aos produtores da América do Sul. Somado a isso, o número de falências agrícolas aumentou 55% em 2024 e se manteve em trajetória de alta no primeiro semestre de 2025, com o país perdendo 20 mil fazendas nos últimos dois anos. Conflitos recentes no Golfo Pérsico também adicionaram estresse à cadeia de suprimentos, elevando os preços de fertilizantes e combustíveis.
Diante desse quadro, a ASA e o Conselho de Exportação de Soja dos Estados Unidos (USSEC) apresentaram duas recomendações centrais ao governo: a isenção de insumos agrícolas críticos (como fertilizantes, sementes e defensivos) importados de qualquer futura medida tarifária e a exclusão do México e do Canadá das investigações da Seção 301. As entidades argumentam que a estabilidade do USMCA é fundamental, especialmente considerando que o México e a União Europeia juntos compraram 14,1 milhões de toneladas de soja, farelo e óleo dos Estados Unidos no último ano comercial. O setor alerta que não sobreviverá a uma batalha tarifária prolongada com os dois clientes mais próximos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.