06/May/2026
O Retail Soy Group (RSG), grupo de varejistas do Reino Unido e da Europa que reúne empresas como Tesco, Sainsbury’s, Aldi e Lidl, afirmou que a meta de eliminar o desmatamento das cadeias de soja até 2025 não foi alcançada e lançou nesta semana uma política para transformar compromissos ambientais em regras mais práticas de compra, rastreabilidade e monitoramento. Em comunicado divulgado no início de maio, o grupo atribuiu esse resultado à falta de regulação para todo o mercado e voltou a defender o Regulamento da União Europeia sobre Desmatamento (EUDR) como referência para criar regras iguais para todos. A meta havia sido definida no UK Soy Manifesto, assinado em novembro de 2021 por 27 grandes empresas do varejo e da indústria de alimentos do Reino Unido. O compromisso previa eliminar, até 2025, a soja ligada ao desmatamento das cadeias de suprimento das signatárias.
Na época, essas empresas respondiam por cerca de 2 milhões de toneladas de compras anuais, quase 60% do volume consumido no mercado britânico. Os varejistas fizeram progressos significativos, mas os últimos cinco anos mostraram que os compromissos voluntários por si sós não conseguem transformar os mercados globais de commodities. O grupo usa o caso brasileiro para mostrar o limite desse modelo voluntário. Em 5 de janeiro de 2026, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) confirmou que iniciou o processo de saída da Moratória da Soja. Criado em 2006, o acordo previa que tradings e indústrias deixariam de comprar soja produzida em áreas do bioma Amazônia desmatadas após julho de 2008, mesmo quando o desmate estivesse dentro da legislação brasileira. A decisão da Abiove foi associada à entrada em vigor da lei de Mato Grosso que proíbe incentivos fiscais a empresas que participem de acordos privados com exigências ambientais além da lei federal.
A reação dos compradores europeus veio logo depois. Em janeiro, o RSG enviou carta aos presidentes globais das principais tradings dizendo estar "profundamente decepcionado" com a saída da Abiove e avisando que as exigências de compra do varejo não mudariam. Agora, o grupo dá um passo além e apresenta um roteiro mais prático, baseado em três pontos: exigências mais claras aos fornecedores, regulação para criar condições iguais de mercado e incentivos econômicos para produtores que preservem florestas e outros ecossistemas. Os atrasos no EUDR aparecem no comunicado como um dos principais entraves a esse avanço. A norma vai exigir que empresas que vendem no bloco europeu comprovem que seus produtos não vêm de áreas desmatadas, mas sua aplicação foi adiada e ainda não começou. Para o RSG, sem uma regra comum para todo o mercado, empresas isoladas não conseguem garantir oferta suficiente de soja verificada como livre de desmatamento e conversão.
O maior empecilho tem sido a ausência contínua de regulação em nível de mercado para eliminar o desmatamento de commodities de risco. Os atrasos no EUDR comprometeram a viabilidade comercial de cadeias segregadas. No Brasil, o tema segue em discussão no Supremo Tribunal Federal (STF), que abriu uma fase de conciliação entre as partes envolvidas no caso. A primeira reunião, de caráter introdutório, reuniu Abiove, partidos políticos autores de ações, assembleias legislativas e governos de Mato Grosso e Rondônia, a Advocacia-Geral da União, a Procuradoria-Geral da República, entidades de produtores e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A Abiove vem recebendo manifestações de compradores, bancos e organizações internacionais desde a saída do pacto, mas disse que, enquanto o litígio não for resolvido, não haverá iniciativa coletiva da associação. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.