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05/May/2026

Bolsa de Chicago: futuros correm risco de correção

Segundo a AgResource, a soja fechou em alta nesta segunda-feira (04/05) na Bolsa de Chicago, sustentada pelo óleo, pelo farelo, pelo esmagamento nos Estados Unidos e pela expectativa em torno da cúpula entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, marcada para 14 e 15 de maio. Porém, a recuperação recente já embute um prêmio ligado ao encontro, o que deixa o mercado exposto a correção caso a reunião não traga anúncio relevante para a demanda norte-americana. O contrato julho avançou 19,50 centavos (1,62%), e fechou a US$ 12,22 por bushel. O novembro, referência para a safra nova, voltou a rondar US$ 12,00 por bushel.

O mercado opera mais por antecipação do que por fundamentos novos de consumo. Interlocutores chineses falam em compras de até 12 milhões de toneladas de soja norte-americana até o fim de 2026, volume semelhante ao do ano passado. Isso seria baixista, não altista. O movimento atual repete, em sentido oposto, o efeito visto quando a reunião anterior entre Trump e Xi foi adiada por cerca de seis semanas. Na ocasião, a soja caiu aproximadamente US$ 0,70 por bushel. Agora, com a cúpula mantida no calendário, compradores voltaram ao mercado, especialmente nos vencimentos mais próximos, com apoio de sistemas automáticos e de fundos que apostam em algum gesto de reaproximação comercial entre Estados Unidos e China.

O risco está no tamanho dessa aposta. A posição comprada dos fundos em futuros agrícolas norte-americanos está na segunda maior marca da história e pode ter alcançado um recorde com as compras recentes. Se houver qualquer notícia baixista, a queda vai ser amplificada. O teste virá logo após a cúpula e o relatório mensal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), previsto para 12 de maio. Se o encontro não trouxer nenhum anúncio relevante de compras de soja norte-americana, o mercado vai voltar a olhar para os fundamentos da safra nova. O suporte de fundo, porém, não é apenas político. As margens de esmagamento nos Estados Unidos seguem em nível recorde, com o óleo respondendo por cerca de 54% do valor total do processamento.

Esse quadro é atribuído à alta do petróleo e ao fechamento do Estreito de Ormuz, que mantém pressão sobre energia e fertilizantes. A cada dia com o Estreito fechado, os mercados de energia e fertilizantes ficam mais apertados. Isso ajuda a explicar por que culturas ligadas ao mercado de biocombustíveis, como soja e milho, reagiram melhor nas últimas semanas. O clima entra como contraponto. Projeções da Climate Impact Company apontam junho e julho com chuva em boa parte do Meio Oeste norte-americano e temperaturas dentro da normalidade. Se confirmado, o cenário aponta para produtividade dentro da tendência ou acima dela.

Chama atenção a sazonalidade historicamente negativa de maio e junho para milho e soja, o que reforça sua cautela com o nível atual das cotações num mercado já bastante comprado. Outro ponto de preocupação é o quadro macroeconômico. A confiança do consumidor norte-americano recuou ao menor nível desde a década de 1950, sinal que reforça o risco de desaceleração da economia e exige atenção adicional do mercado de commodities. A soja ainda encontra apoio no curtíssimo prazo, mas o comportamento dos preços depois da cúpula dependerá menos da expectativa e mais da confirmação, ou não, de demanda nova por parte da China. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.