29/Apr/2026
Os contratos futuros de soja na Bolsa de Chicago operaram sob pressão nesta terça-feira (28/04), influenciados pelo avanço acelerado do plantio nos Estados Unidos e pela elevada oferta da América do Sul. O próximo fator determinante para a direção das cotações está relacionado à entrada da China nas compras da nova safra norte-americana, em um momento de transição entre ciclos comerciais. O contrato julho recuou 1,00 cent por bushel, e fechou a US$ 11,78 por bushel, enquanto o contrato novembro, referência para a nova safra, avançou 1,25 cent por bushel, para US$ 11,67 por bushel. No complexo, o farelo subiu US$ 0,90 por tonelada, enquanto o óleo caiu US$ 0,13 por libra-peso. O contrato novembro se aproxima de uma faixa de resistência próxima a US$ 11,74 por bushel.
A demanda chinesa pela safra velha dos Estados Unidos está praticamente encerrada, com compras próximas de 12 milhões de toneladas no atual ano comercial, grande parte já embarcada. Com isso, o foco do mercado migra para possíveis aquisições da nova safra, que tendem a definir o ritmo das exportações e a sustentação dos preços. Do lado da oferta, o plantio nos Estados Unidos atingiu 23% da área até o dia 26 de abril, superando a média histórica de 12% para o período, o que reforça a perspectiva de uma safra elevada caso as condições climáticas permaneçam favoráveis. No Brasil, a colheita alcança 92,1% da área, mantendo elevada a disponibilidade de produto no mercado internacional.
Fatores externos têm limitado perdas mais intensas. O petróleo WTI opera próximo de US$ 100,00 por barril, em meio a tensões geopolíticas e restrições logísticas no Estreito de Ormuz, o que impacta custos energéticos e insumos agrícolas. No mercado de fertilizantes, interrupções nas exportações e na produção, especialmente de ureia, mantêm os preços acima de US$ 650,00 por tonelada por cinco semanas consecutivas. O cenário indica pressão de curto prazo sobre as cotações, condicionada à oferta elevada e ao ritmo do plantio nos Estados Unidos, enquanto a demanda chinesa pela nova safra e os custos de produção global permanecem como variáveis-chave para a formação de preços nos próximos meses.