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27/Apr/2026

Preços da soja estáveis no mercado doméstico

A valorização do óleo de soja no mercado internacional tem reconfigurado a dinâmica da cadeia, com impacto direto nas margens de esmagamento. No entanto, no Brasil, a retração dos prêmios de exportação tem limitado o repasse da alta do óleo aos preços domésticos, enquanto a ampla oferta de soja em grão mantém a liquidez elevada, com variações moderadas de preços. No cenário externo, a intensificação dos conflitos no Oriente Médio e as incertezas quanto ao fluxo global de petróleo, especialmente no Estreito de Ormuz, sustentam a valorização do complexo energético e, por consequência, do óleo de soja. Esse movimento tem levado a uma configuração atípica em 2026: a participação do óleo na “crush margin” supera a do farelo. Em 23 de abril, o óleo respondeu por 52,1% da margem, recorde da série histórica, frente aos já elevados 44,5% registrados no mesmo período de 2025. Além disso, paralisações pontuais de caminhoneiros na Argentina mantêm o mercado em alerta, com possíveis redirecionamentos de demanda para os Estados Unidos e o Brasil.

Na Bolsa de Chicago, o contrato Maio/26 do óleo de soja registra avanço de 3,4% nos últimos sete dias, cotado a US$ 1.579,82 por tonelada, o maior valor nominal desde julho de 2023. No Brasil, contudo, esse movimento não foi integralmente repassado. A pressão negativa dos prêmios de exportação limita os ganhos domésticos: no Porto de Paranaguá (PR), os prêmios do óleo para embarque em maio/26 são negociados em patamares negativos (entre -17,80 e -16,50 centavos de dólar por libra-peso), em contraste com os patamares positivos observados há um ano. Assim, os preços do óleo de soja (posto em São Paulo com 12% de ICMS) têm baixa de apenas 0,1% nos últimos sete dias, com média de R$ 6.681,20 por tonelada. No segmento de farelo, o cenário segue mais desafiador. A valorização do óleo aumenta a dependência do escoamento do farelo, enquanto a recente recomposição de estoques por parte de consumidores globais está reduzindo a presença compradora. Na Bolsa de Chicago, o contrato Maio/26 do farelo apresenta baixa de 3,6% nos últimos sete dias, a US$ 353,40 por tonelada, refletindo esse enfraquecimento da demanda.

No mercado interno, os preços do farelo oscilam dentre as regiões, com leve queda média de 0,2% no mesmo período. Para a soja em grão, a oferta elevada no Brasil sustenta a liquidez, mas limita altas mais expressivas. Mesmo com a demanda firme, a perspectiva de safra recorde mantém o equilíbrio do mercado. Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta leve alta, cotado a R$ 126,90 por saca de 60 Kg. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra pequeno avanço nos últimos sete dias, a R$ 120,49 por saca de 60 Kg. Nos últimos sete dias, observa-se recuo de 0,3% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e estabilidade no mercado de lotes (negociação entre empresas). Na Bolsa de Chicago, o contrato Maio/26 registra queda de 0,3% nos últimos sete dias, a US$ 11,59 por bushel. No campo, a colheita brasileira alcançou 88,1% da área, com ritmos distintos entre as regiões, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

No Paraná, a colheita se aproxima da conclusão (98%), Santa Catarina segue atrasada (63%) e o Rio Grande do Sul também apresenta defasagem (51%). No Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), o avanço é heterogêneo, com destaque para Tocantins (95%) e menores índices no Maranhão (58%) e Bahia (78%). Na Argentina, as chuvas intensas continuam prejudicando os trabalhos, segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires. A área semeada foi revisada para 17,2 milhões de hectares, enquanto a produção foi ajustada para 48,6 milhões de toneladas, impulsionada pela boa produtividade das áreas já colhidas. Até 22 de abril, apenas 10,2% da área havia sido colhida. No Hemisfério Norte, as condições climáticas seguem no radar. Apesar da preocupação com a baixa umidade do solo, previsões de chuvas podem amenizar o cenário. Nos Estados Unidos, a semeadura atingiu 12% da área esperada até 19 de abril, superando tanto o ritmo do ano passado quanto a média dos últimos cinco anos, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.