27/Apr/2026
Segundo a AgMarket.Net, o contrato com vencimento novembro na Bolsa de Chicago opera próximo das máximas, sustentado pelo prêmio de risco climático embutido nas cotações e pela discussão sobre área para a safra 2026/27. Os contratos da safra nova vêm surpreendendo positivamente e há espaço para os futuros avançarem até US$ 12,00 por bushel ou mais. A soja da safra 2026/27 tem mostrado desempenho acima do esperado, num momento em que o mercado acompanha a persistência das chuvas em parte do Meio Oeste norte-americano e tenta medir os efeitos disso sobre a disputa por área. Há agentes apostando que a oleaginosa pode ganhar mais hectares do que o milho, especialmente porque algumas regiões que já vinham úmidas continuam recebendo precipitações. O próprio clima, porém, carrega um elemento baixista no médio prazo: um verão úmido favorece o desenvolvimento das lavouras já plantadas, eleva a produtividade e pesa contra os preços futuros.
A soja disponível continua sem direção clara. O mercado do grão da safra 2025/26 segue travado dentro de uma faixa estreita de oscilação nas últimas semanas e, quando se aproxima do teto desse intervalo, perde força e recua. No pano de fundo, o clima segue como principal variável para a formação de preços nos Estados Unidos. Partes do leste de Iowa continuam recebendo chuvas intermitentes, embora a capacidade operacional das fazendas permita avanço rápido do plantio quando o solo oferece condição de trabalho. A principal implicação para a discussão sobre área está nas regiões que permanecerem úmidas por mais tempo, sobretudo entre produtores que ainda não compraram fertilizantes nitrogenados. Nesses casos, pode haver migração de parte dos hectares para a soja, ainda que não em volume expressivo. No cenário externo, as tensões no Oriente Médio seguem no radar menos pelo efeito direto sobre os grãos e mais pelo impacto sobre energia e fertilizantes.
Há mais preocupação com o custo e a disponibilidade de insumos para a safra 2027 do que propriamente com o ciclo atual. A ureia está cotada entre US$ 700,00 e US$ 750,00 por tonelada e amônia anidra, entre US$ 1.100,00 e US$ 1.200,00 por tonelada. Há ceticismo quanto à possibilidade de ajuda do governo norte-americano para compensar a alta dos fertilizantes. As vendas externas de soja dos Estados Unidos estão surpreendendo, apesar de o produto norte-americano continuar caro no mercado internacional frente ao Brasil. No milho, o desempenho exportador é muito forte, com embarques bem acima dos níveis de um ano atrás, o que pode levar o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) a revisar novamente para cima sua projeção. No trigo de inverno (HRW), a seca já comprometeu parte importante da produção no oeste do Kansas, onde corretores de seguro relatam produtividades entre zero e 1,27 tonelada por hectare, em níveis que em alguns casos não justificariam nem a colheita. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.