24/Apr/2026
Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), o setor de biodiesel quer a elevação da mistura obrigatória no diesel fóssil para 16% ainda em 2026 e defende a conclusão, neste ano, dos testes com B20 e B25. O País opera com B15 desde 1º de agosto de 2025, dentro das diretrizes da Lei do Combustível do Futuro. Ao defender o avanço da mistura, a entidade destacou que a pauta do segmento vai além do porcentual de biocombustível no diesel. A agenda é complexa. Entre os pontos listados: qualidade do combustível, combate a fraudes, certificação, diversificação de oleaginosas, inserção nos mercados externos e expansão do uso para outros modais de transporte. O fortalecimento da articulação institucional como pré-requisito para a cadeia avançar. A Aliança Biodiesel, formada por Abiove e Aprobio (Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil), é uma iniciativa nessa direção. A parceria com o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) é parte do mesmo esforço de ampliar o diálogo entre os agentes do setor.
Quanto à qualidade do produto, a Abiove mantém um programa de certificação há cerca de seis anos e a Aprobio tem iniciativa semelhante. As duas entidades trabalham para unificar as iniciativas, com o objetivo de demonstrar ao mercado maior comprometimento com padrões técnicos. No combate a fraudes nas misturas, destaca-se a atuação conjunta de produtores, distribuidoras e representantes do segmento de combustíveis, com doação de equipamentos à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), além de dois projetos de lei aprovados na Câmara nas últimas semanas como resultado desse trabalho. O biodiesel tem papel a cumprir além do transporte rodoviário. O setor marítimo é vetor de descarbonização e é preciso fomentar a rota Hefa, baseada em biorrefinarias para produção de diesel verde e combustível sustentável de aviação (SAF). Não é só o caminhão, mas transporte marítimo também.
No mercado externo, o biodiesel brasileiro também enfrenta desafios. Discussões em organismos internacionais ligados ao transporte marítimo e à aviação, além do debate na Europa sobre regras ambientais podem limitar o uso da soja como matéria-prima para biocombustíveis. A entidade elogiou a fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Hannover, na Alemanha, em defesa dos biocombustíveis brasileiros. A Abiove defendeu o aprimoramento do Selo Combustível Social, que classificou como uma política relevante, mas com dificuldades de cumprimento para as maiores empresas do segmento. A Abiove negocia com o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) as mudanças necessárias no programa. Os biocombustíveis têm efeito desinflacionário: maior demanda por óleo de soja para fins energéticos eleva a produção de farelo, reduzindo custos na alimentação animal. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.