24/Apr/2026
Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), os testes de viabilidade técnica para misturas de biodiesel de 20% e 25% no diesel devem demandar investimento estimado em R$ 8 milhões e ter conclusão formal prevista para fevereiro de 2027. O cronograma está condicionado à estruturação operacional, contratação de laboratórios e definição de fontes de financiamento para execução dos ensaios. O plano de testes, articulado entre a indústria e o Ministério de Minas e Energia (MME), prevê início das atividades em maio, mas depende de etapas preparatórias como negociação com laboratórios, formalização de contratos e organização do custeio. Parte relevante do orçamento está associada ao fornecimento de biodiesel utilizado nos próprios ensaios, além da estrutura de análise técnica. O protocolo inclui diferentes níveis de mistura, com testes envolvendo B15 como referência, além de B20 e B25, e em alguns casos B7 para avaliação de emissões. A execução será conduzida em coordenação com o governo, enquanto os produtores participam diretamente da contratação de parte da infraestrutura técnica.
A avaliação é de que o cronograma previsto na legislação, que previa avanço para B16 a partir de 2026, não deve ser implementado antes da conclusão dos testes. A elevação de mistura acima do atual patamar de B15 permanece condicionada à validação técnica dos resultados. O entendimento predominante é de que eventuais ajustes identificados nos ensaios tendem a ser solucionados por adequações operacionais nas usinas, sem inviabilizar a elevação dos percentuais de mistura. Após a conclusão dos testes, os resultados ainda precisarão de validação pelo Ministério de Minas e Energia e posterior submissão ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) antes de qualquer alteração regulatória. Segundo a Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio), o setor privado de biodiesel manifesta disposição para participar do financiamento dos testes de viabilidade técnica de misturas superiores de biodiesel no diesel, com objetivo de acelerar o início das análises ainda em maio e dar maior previsibilidade ao cronograma regulatório do segmento.
A proposta parte da avaliação de que a execução dos ensaios é condição central para destravar a evolução das misturas obrigatórias, hoje limitadas a 15%. O entendimento é de que a antecipação dos testes pode reduzir incertezas regulatórias e permitir planejamento mais consistente dos investimentos na cadeia de biocombustíveis. A comparação de custos também é utilizada pelo setor como argumento para viabilizar o processo, diante do volume de recursos atualmente direcionados à importação de diesel, que seria significativamente superior ao necessário para a condução dos ensaios técnicos no País. A ausência de definição sobre a progressão da mistura, incluindo possíveis avanços para B16 ou B17, é apontada como fator de pressão sobre empresas do setor, especialmente em relação à precificação de ativos e expectativas do mercado financeiro. No campo institucional, há expectativa de alinhamento mais claro entre governo, Congresso e setor produtivo sobre a política de biocombustíveis, com destaque para o papel estratégico atribuído ao biodiesel na transição energética e na segurança de abastecimento.
O avanço do programa também é associado ao desempenho do agronegócio, com impacto direto na demanda por grãos utilizados como matéria-prima, além de efeitos indiretos sobre cadeias como a de proteína animal, que dependem da dinâmica de preços de insumos. Em paralelo, o setor acompanha a evolução dos indicadores de qualidade do combustível e os dados regulatórios da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), com expectativa de melhora gradual dos padrões técnicos nas próximas divulgações. A articulação entre entidades do setor também prevê iniciativas de internacionalização, incluindo evento global voltado a biocombustíveis, com foco na atração de compradores e na consolidação da posição do Brasil no mercado internacional. Aprobio e a Abiove, por meio da Aliança Biodiesel, planejam realizar em novembro a primeira conferência internacional do setor no Brasil. O objetivo é trazer compradores estrangeiros para conhecer a cadeia brasileira e consolidar a presença do País nos mercados globais de biocombustíveis. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.