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24/Apr/2026

Biocombustíveis: Brasil deve buscar acordos na Ásia

Segundo a S&P Global Energy, o Brasil tem matéria-prima competitiva para avançar em combustíveis renováveis de maior valor agregado, como o combustível sustentável de aviação (SAF) e o diesel renovável, mas pode esbarrar na ausência de compradores e de acordos comerciais que deem segurança aos investimentos. Estados Unidos e Europa vêm fechando espaço para insumos estrangeiros na cadeia de biocombustíveis, e a Ásia tende a surgir como mercado mais promissor para o País. A disputa global por biocombustíveis avançados não passa mais principalmente pela disponibilidade de matéria-prima, mas pelo desenho dos mercados consumidores.

No caso norte-americano, há restrições crescentes a insumos importados nos programas de incentivo, incluindo a sinalização de redução dos créditos aplicáveis à matéria-prima estrangeira a 50% a partir de 2028 e a estruturação do crédito fiscal 45Z voltado exclusivamente para insumos de origem americana. A política norte-americana tem menos a ver com questões ambientais e mais com a proteção do eleitorado agrícola. Os republicanos querem manter o voto no Meio Oeste, basicamente, e os biocombustíveis, na verdade, são um tipo de subsídio para a agricultura norte-americana. Na Europa, o quadro é diferente, mas igualmente restritivo.

A Europa mantém metas elevadas para biocombustíveis avançados, mas resiste a liberar insumos competitivos de fora, como o óleo de soja brasileiro, para proteger produtores locais. A isso se soma um problema crescente de financiamento: parte significativa dos recursos do orçamento europeu está sendo redirecionada para gastos com defesa, o que levanta dúvidas sobre a capacidade do bloco de bancar o diferencial de custo entre SAF e combustível fóssil no longo prazo. Diante desse cenário, o Brasil deve concentrar esforços em acordos bilaterais com países dispostos a receber seus biocombustíveis, com destaque para Japão, Coreia do Sul e Singapura.

Tentar convencer mercados protecionistas a aceitar a intensidade de carbono do biodiesel e do etanol brasileiros é um esforço com retorno limitado. Tem que focar em quem está no mesmo patamar que o Brasil, que é importador de gasolina e diesel, e fazer acordo com esses países que realmente têm interesse. O Brasil avança bem na redução da intensidade de carbono de seus biocombustíveis, com o uso de biogás nas usinas e práticas agrícolas mais eficientes do que as de outros países produtores. Mas, a competitividade da matéria-prima brasileira só se converte em negócio se houver contratos e acordos que garantam acesso aos mercados consumidores.

O Brasil pode ter a matéria-prima mais competitiva do mundo, os melhores processos, mas se os países compradores não querem o produto, nada vai acontecer e os investidores não vão vir. No médio prazo, a crise no mercado internacional de petróleo, agravada pelo conflito no Oriente Médio, abre uma janela para o Brasil se reposicionar como fornecedor confiável de combustíveis renováveis para países importadores de diesel na Ásia. As cadeias globais de valor serão redefinidas nos próximos cinco a oito anos, e o Brasil deve escolher seus parceiros estratégicos com atenção. O Brasil precisa escolher os parceiros certos nos próximos dez, vinte anos, você consegue fazer acordos com alvos talvez nunca identificados, que vão criar apoio real para o Brasil. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.