23/Apr/2026
De acordo com estudo publicado pelo farmdoc daily, da Universidade de Illinois (EUA), o Paraguai responde por menos de 3% da produção mundial de soja, mas pode exercer influência acima desse tamanho no comércio global em temporadas de forte oscilação climática, por causa da elevada dependência das exportações e da maior volatilidade de rendimento ante Brasil e Estados Unidos. A produção paraguaia cresce de forma consistente desde 1970 e já superou 10,9 milhões de toneladas em anos recentes, impulsionada pelo avanço da produtividade e pela expansão de área. Esse crescimento, porém, perdeu ritmo nos últimos anos. A área plantada ficou estabilizada entre 3,5 milhões e 3,6 milhões de hectares, e o potencial adicional de abertura, estimado em até 300 mil hectares no Chaco, é limitado por solo mais pobre e ausência de infraestrutura, segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
Isso torna a produção futura do Paraguai cada vez mais dependente de ganhos de rendimento, não de área. Em anos favoráveis, o potencial da safra principal paraguaia se aproxima do observado no Brasil e nos Estados Unidos. O USDA projeta produtividade acima de 3,76 toneladas por hectare para a safra 2025/26, com produção total perto 12,1 milhões de toneladas. O ponto central levantado pelo estudo é que o Paraguai oscila muito mais do que os grandes concorrentes. Nos últimos 25 anos, a produtividade ficou ao menos 10% abaixo da tendência em sete safras, ante quatro no Brasil e apenas duas nos Estados Unidos. Em 2012 e 2022, secas severas derrubaram os rendimentos mais de 40% abaixo da tendência. O desvio médio negativo foi de 22% no Paraguai, bem acima dos 6,9% do Brasil e dos 4,4% dos Estados Unidos, e é essa instabilidade que faz a participação do país no comércio global variar de forma tão acentuada de um ano para outro.
Desde 2000, o Paraguai respondeu em média por 3,9% das exportações mundiais de soja, fatia que caiu a 1,4% em 2022, ano de seca, e chegou a 5,6% em 2011, temporada favorável. A vocação exportadora do país é intensa: a relação entre embarques e produção gira em torno de 60%, patamar próximo ao do Brasil. Entre 75% e 85% das exportações paraguaias seguem para a Argentina, abastecendo o parque de esmagamento do país vizinho, maior exportador global de farelo e óleo de soja, com destino principal a China, Índia e União Europeia. A capacidade doméstica de processamento deve alcançar 4,7 milhões de toneladas em 2026/27, com investimentos recentes, mas o consumo interno fora da indústria permanece pequeno. O Paraguai deve continuar como produtor relativamente menor no cenário global. A combinação entre alta exposição ao mercado externo e grande variabilidade de safra, no entanto, mantém o país relevante para o fluxo regional e para o equilíbrio do comércio internacional de soja. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.