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23/Apr/2026

Canola de 2ª safra pode reduzir emissões da aviação

De acordo com estudo da Embrapa, o uso de canola de 2ª safra para produção de combustível sustentável de aviação (SAF) pode reduzir em até 55% as emissões da aviação de gases ligados ao efeito estufa (GEE). A pesquisa avalia o ciclo de vida completo do SAF nacional a partir do cereal de inverno, desde o cultivo da matéria-prima até a queima do combustível no avião, e o potencial de redução de emissões comparado ao uso de querosene fóssil (QAV Jet-A1). O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) e da Embrapa Agroenergia e Meio Ambiente. O alcance do percentual de redução em cenário otimista depende ainda, entretanto, de condições ideais de adoção e de mudanças na regulamentação do setor.

Ressalta-se que há limitações técnicas e regulatórias que restringem a substituição do combustível fóssil tradicional pelo combustível sustentável de aviação, como o limite de 50% de mistura do SAF a partir de óleos e gorduras ao querosene de aviação. Outra barreira regulatória citada no estudo é o fato de a canola não estar contemplada na rota HEFA do RenovaBio para certificação da intensidade de carbono e emissão de Créditos de Descarbonização (CBios). A pesquisa mostra ainda que o avanço do uso da canola de 2ª safra na produção de SAF exige evolução tecnológica, melhoria de práticas agronômicas, ampliação da produção de SAF, além da superação de entraves regulatórios. O setor aéreo precisa de alternativas tecnicamente viáveis para cumprir metas climáticas globais, e o SAF é hoje a principal estratégia de curto e médio prazo.

O diferencial do estudo foi analisar a canola cultivada como 2ª safra no Brasil, em rotação com a soja, sob condições tropicais ainda pouco representadas na literatura internacional. A análise do estudo considerou dados de produtores brasileiros baseados nas condições tropicais de cultivo em sistema de segunda safra e a rota HEFA (Hydroprocessed Esters and Fatty Acids) de transformação de óleos vegetais em combustível de aviação por processos de hidrotratamento. Os resultados do estudo apontam que a fase agrícola responde pela maior parcela das emissões no ciclo de vida do SAF de canola. O cultivo contribui com aproximadamente 34,2 g CO2 equivalente por megajoule (MJ, unidade de medida de energia), impulsionada pelo uso de fertilizantes e emissões de óxido nitroso (N2O) do solo.

O estudo destaca ainda que o cultivo da canola em 2ª safra, em rotação com soja, diminui a pressão por abertura de novas áreas, com mitigação dos impactos associados ao uso da terra. A produção e o uso de fertilizantes, especialmente nitrogenados, representam o principal ponto crítico do sistema, tanto pelas emissões associadas quanto pelos impactos sobre água e ecossistemas. O uso de bioinsumos na produção de canola contribui para redução das emissões. A etapa de conversão industrial via HEFA contribui com cerca de 12,8 g CO2 eq./MJ com base no uso de hidrogênio fóssil. A pesquisa considera ainda a substituição do hidrogênio fóssil pelo hidrogênio renovável, de baixo carbono, o que possibilita a redução entre 86% e 94% das emissões de gases ligados ao efeito estufa na etapa industrial. A integração entre bioenergia e hidrogênio renovável pode reduzir de forma importante a intensidade de carbono dos combustíveis de aviação. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.