20/Apr/2026
Os preços da soja estão pressionados no Brasil, sobretudo pela desvalorização do dólar frente ao Real e pela perspectiva de ampla oferta interna. A moeda norte-americana está cotada a R$ 4,99, o menor patamar desde março de 2024. Esse cenário cambial, aliado à expectativa de safra recorde, tem limitado a liquidez, mantendo agentes cautelosos e à espera de melhores oportunidades de negociação. De fato, projeções indicam aumento na disponibilidade doméstica. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra 2025/26 deve ocupar 48.472,7 mil hectares, alta de 2,4% em relação à anterior, com produtividade média estimada em 3.696 Kg por hectare (+2%). Com isso, a produção nacional pode atingir 179,15 milhões de toneladas, crescimento de 4,5% e um novo recorde no País. No campo, a colheita já alcança 85,7% da área, com trabalhos concluídos em estados como Mato Grosso e Paraná. Por outro lado, persistem preocupações no Rio Grande do Sul, onde a irregularidade das chuvas comprometeu a produtividade.
Relatórios da Emater-RS apontam perdas graduais de qualidade, com retenção foliar, presença de grãos verdes e aumento de impurezas, reflexo da elevada umidade durante a colheita. Esse cenário, somado ao aumento dos custos, especialmente de diesel e frete, reduz a rentabilidade e eleva o risco financeiro, sobretudo para produtores mais dependentes de caixa. Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta recuo de 0,9%, cotado a R$ 126,67 por saca de 60 Kg. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra queda de 1,2% nos últimos sete dias, a R$ 120,31 por saca de 60 Kg. Nos últimos sete dias, as quedas são de ,5% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 0,9% no mercado de lotes (negociação entre empresas). No mercado externo, os contratos futuros da soja registram recuo. O primeiro vencimento (Maio/26) na Bolsa de Chicago tem baixa de 0,1% nos últimos sete dias, para US$ 11,63 por bushel.
A pressão vem do relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que indicou avanço mais rápido na semeadura da safra 2026/27 nos Estados Unidos, com 6% da área concluída até 12 de abril, contra 2% no mesmo período de 2025. Diferentemente do grão, os preços internacionais do farelo de soja estão em alta, alcançando patamares não observados desde outubro de 2024. O movimento é impulsionado pela menor oferta da Argentina, em meio a rumores de paralisação no transporte, o que redirecionou a demanda para os Estados Unidos e fortaleceu as margens das processadoras. Nesse cenário, o contrato Maio/26 do farelo na Bolsa de Chicago registra avanço de 4,8% nos últimos sete dias. No Brasil, esse ambiente externo mais firme, aliado ao aquecimento das vendas domésticas, sustenta as cotações. Apesar da revisão negativa na produção, reduzida em 247 mil toneladas, para 46,64 milhões de toneladas, a Conab elevou a estimativa de consumo interno para 20,40 milhões de toneladas, um novo recorde, impulsionado pela demanda do setor de ração.
Assim, os preços do farelo avançaram, em média, 0,6% nas regiões acompanhadas pelo Cepea. No mercado internacional, os preços do óleo de soja estão em alta, acompanhando a valorização do petróleo em meio a tensões geopolíticas no Oriente Médio. Na Bolsa de Chicago, o contrato Maio/26 apresenta avanço de 2,4% nos últimos sete dias. No mercado interno, porém, o movimento é oposto. As cotações do óleo de soja apresentam recuo expressivo, refletindo incertezas quanto à demanda do setor de biodiesel. A Conab revisou a produção para 12,15 milhões de toneladas (-73 mil toneladas) e reduziu a estimativa de consumo interno em 123 mil toneladas, para 10,68 milhões de toneladas. A queda na demanda está associada ao adiamento do aumento da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel, de 15% para 16%, inicialmente previsto para março de 2026. Nesse contexto, o óleo de soja (posto em São Paulo com ICMS de 12%) registra queda de 4,5% nos últimos sete dias, a R$ 6.689,75 por tonelada. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.