20/Apr/2026
O Brasil chega ao fim da colheita de soja com vantagem comercial sobre os Estados Unidos num momento decisivo para a disputa pela demanda chinesa. Com cerca de 90% da safra já colhida e exportações de abril projetadas em cerca de 16,7 milhões de toneladas, o País entra no período de maior disponibilidade de grãos justamente antes da cúpula entre Donald Trump e Xi Jinping, prevista para maio. O timing favorece os brasileiros, que estão “jogando sua carta no momento certo”. Até Trump se reunir com Xi, os produtores brasileiros estarão exportando em volume. A janela comercial se abre num momento em que a China ainda não retomou plenamente o ritmo de compras do ano passado. As importações chinesas de soja somaram 4,02 milhões de toneladas em março, alta de 14,9% ante igual mês de 2025. No acumulado de janeiro a março, porém, o volume ficou em 16,6 milhões de toneladas, abaixo dos 17,1 milhões registrados em igual intervalo do ano passado.
Essa diferença dá ao governo norte-americano um argumento político para tentar conseguir novos compromissos de compra na reunião com Xi. O problema para os produtores norte-americanos é que, até lá, o Brasil continuará ocupando espaço. A safra brasileira está projetada em cerca de 180 milhões de toneladas, enquanto a Argentina caminha para uma produção entre 48 milhões e 49 milhões de toneladas, com 80% das lavouras em condições consideradas satisfatórias. Com a colheita brasileira praticamente concluída, o mercado passa a deslocar o foco da retirada do grão do campo para o ritmo de embarques, o que reforça a competitividade da origem sul-americana no curto prazo. Nos Estados Unidos, o plantio da nova safra de soja enfrenta chuvas em partes do cinturão agrícola, mas ainda avança em ritmo superior ao histórico.
A área semeada atingiu 6% do total previsto, acima da média de 2% para o período nos últimos cinco anos. O quadro, por ora, não inspira maior preocupação, sobretudo porque a janela ideal de semeadura da soja é mais ampla do que a do milho. Do lado da demanda, o mercado norte-americano continua amparado na indústria doméstica. O esmagamento de soja nos Estados Unidos somou cerca de 6,15 milhões de toneladas, segundo a Associação Nacional de Processadores de Oleaginosas (Nopa). O volume ficou abaixo da estimativa média do mercado, mas ainda assim foi o segundo ou terceiro maior já registrado para o mês e superou o processamento de março de 2025. Os produtores norte-americanos seguem confiantes em demanda interna forte, especialmente pelo lado do biodiesel. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.