17/Apr/2026
Segundo a StoneX, os Estados Unidos vêm perdendo espaço no mercado global de soja e, diante do avanço das exportações da América do Sul, especialmente do Brasil, passam a depender cada vez mais da demanda doméstica para sustentar o consumo da oleaginosa. O mercado norte-americano atravessa uma mudança estrutural, com menos protagonismo das exportações e maior peso do esmagamento interno voltado a óleo e farelo. O mercado de soja daqui a cinco ou dez anos será muito diferente do atual. Essa transição fica clara quando se compara a evolução recente do esmagamento e das exportações nos Estados Unidos. Nos últimos cinco anos, o processamento doméstico cresceu cerca de 12,8 milhões de toneladas, enquanto as exportações recuaram mais de 19 milhões de toneladas. Para a temporada atual, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta embarques de cerca de 41,9 milhões de toneladas, o menor volume em 13 anos.
Se a soja da safra 2025/26 ficar fora de um eventual entendimento comercial entre o presidente norte-americano, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping, essa meta pode até se mostrar difícil de alcançar. O Brasil é o principal vetor dessa mudança. O País caminha para a quarta safra recorde consecutiva, estimada em cerca de 180 milhões de toneladas, e já responde por mais de 70% das importações chinesas de soja. A China, maior compradora global da oleaginosa, absorve a maior parte do comércio mundial, e a preferência por soja sul-americana vem se consolidando ao longo dos últimos anos. Mesmo sem tarifas, mesmo sem tensões geopolíticas, simplesmente a soja norte-americana é cara demais agora. Brasil e Argentina são significativamente mais baratos. A perda de espaço dos Estados Unidos não decorre apenas de disputas comerciais, mas também de uma diferença de competitividade em um mercado de grão pouco diferenciado.
O mercado interno norte-americano passou a ser a principal alternativa para compensar essa perda de participação. O dado mais recente da Associação Nacional dos Processadores de Oleaginosas dos Estados Unidos (Nopa) reforça esse movimento. O esmagamento de soja em março somou cerca de 6,15 milhões de toneladas. O volume ficou abaixo da expectativa média do mercado, mas ainda assim foi o segundo maior já registrado para qualquer mês de março e novo recorde para o período. No acumulado do ano comercial, de setembro a março, o esmagamento supera 41 milhões de toneladas, alta de 12,8% em relação ao mesmo intervalo do ciclo anterior. Outro ponto destacado é o comportamento dos estoques de óleo de soja. Em vez de alta, como o mercado esperava, houve recuo, sinal de demanda mais forte do que a prevista. O consumo implícito mensal de óleo avançou para cerca de 1,22 milhão de toneladas, maior nível da série calculada pela StoneX.
Esse dado ajuda a mostrar que a expansão do esmagamento continua encontrando escoamento no mercado interno. A principal força por trás dessa demanda é o biodiesel. O consumo de óleo de soja para biocombustíveis aumentou 755% na última década nos Estados Unidos, enquanto o uso em alimentos, ração e outras finalidades avançou apenas 6%, e as exportações de óleo recuaram cerca de 50% desde a temporada 2015/16. Esse reposicionamento ganhou novo impulso com a diretriz divulgada no fim de março pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), que elevou de 3,35 bilhões para 5,4 bilhões de galões a meta obrigatória de diesel de biomassa em 2026, com novo aumento para 5,7 bilhões em 2027. Trata-se do maior salto anual já registrado nesse mandato. São decisões de investimento de centenas de milhões, às vezes bilhões de dólares, que não podem ser tomadas com incerteza regulatória. Essa certeza dá o sinal verde para continuar expandindo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.