17/Apr/2026
Segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), a classificação da soja deve ser compreendida como instrumento técnico de controle de qualidade, sem função direta na formação de preços, em um contexto de maior exigência dos mercados internacionais. O processo de análise física tem como objetivo atestar a conformidade do produto e fornecer base para a comercialização, sem definir mecanismos de ágio ou deságio. A discussão sobre a revisão da norma oficial de classificação da soja permanece sem avanço devido a divergências em pontos centrais, como a proposta de redução do teor de umidade de referência de 14% para 13% e a tentativa de inclusão de critérios comerciais na regulamentação. A avaliação predominante é de que aspectos de precificação não se enquadram na competência regulatória, mantendo a distinção entre padrão técnico e negociação de mercado.
O tema ganha relevância diante da centralidade da China como principal destino da soja brasileira, absorvendo cerca de 70% de uma safra estimada em aproximadamente 180 milhões de toneladas. O aumento das exigências sanitárias e de qualidade reforça a necessidade de alinhamento aos padrões internacionais para preservação do acesso ao mercado. Históricos de interrupções comerciais por questões sanitárias evidenciam a sensibilidade do tema e a importância de protocolos rigorosos ao longo da cadeia. Nesse sentido, a certificação higiênico-sanitária e o controle de impurezas e contaminantes tornaram-se elementos essenciais na operação exportadora. A norma atual apresenta lacunas, como a ausência de parâmetros específicos para identificação de pragas quarentenárias em matérias estranhas e impurezas, embora tais exigências já sejam aplicadas na prática pelos compradores e adotadas pelas empresas do setor. A qualidade da soja é resultado de um processo integrado que se inicia no campo e se estende até o embarque, envolvendo decisões relacionadas a manejo, colheita, armazenagem, segregação e logística.
Entre os principais parâmetros analisados estão a umidade, as matérias estranhas e impurezas e os defeitos dos grãos. A umidade é fundamental para o controle e conservação, enquanto impurezas impactam diretamente a tipificação, a armazenagem e o risco de contaminação. A etapa de amostragem é considerada crítica para garantir representatividade e precisão na classificação, exigindo procedimentos padronizados e uso de equipamentos adequados. A adoção de protocolos, capacitação técnica contínua e uso de tecnologias contribui para reduzir erros operacionais e aumentar a rastreabilidade. O atendimento rigoroso às exigências do principal mercado comprador, aliado ao conhecimento de padrões de outros destinos, é apontado como fator determinante para manutenção da competitividade e da reputação do Brasil no comércio global de soja. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.