16/Apr/2026
Segundo o Itaú BBA, o mercado de óleo e farelo de soja deve permanecer sustentado no curto prazo pela expansão da demanda por biocombustíveis nos Estados Unidos e pelo aumento do esmagamento, enquanto a maior oferta da Argentina a partir de maio tende a ampliar a pressão sobre os preços, especialmente no caso do óleo. A política de biocombustíveis norte-americana elevou o piso de demanda para os próximos anos, com projeção de produção de diesel de biomassa de 5,5 bilhões de galões em 2026, frente a 3,35 bilhões em 2025, e avanço para 5,9 bilhões em 2027. A manutenção dos incentivos até o fim de 2027 reforça o suporte à demanda por derivados de soja. Esse movimento já se reflete nas estimativas de esmagamento, com processamento de soja projetado em 71 milhões de toneladas nos Estados Unidos, aumento de 1 milhão de toneladas, enquanto a demanda por farelo foi revisada para 39,2 milhões de toneladas, alta de 725 mil toneladas.
O cenário sustenta os preços no curto prazo, especialmente diante da demanda firme por energia e proteínas animais. No entanto, a partir de meados de maio, a entrada mais intensa da oferta argentina tende a elevar a disponibilidade global, aumentando a competitividade do produto do país e pressionando prêmios e cotações, sobretudo no mercado de óleo. Para o farelo, o suporte da demanda segue presente, impulsionado principalmente pelo setor de proteínas animais, com destaque para Estados Unidos e parte da Ásia. Ainda assim, o avanço da colheita e do esmagamento na América do Sul começa a ampliar a oferta e gerar pressão adicional no início de abril. A formação de preços reflete esse contraste entre os produtos.
O óleo de soja permanece mais sensível ao comportamento do petróleo e ao mercado de biocombustíveis, enquanto o farelo responde mais diretamente à dinâmica de oferta física e à demanda por ração. Em março, o óleo de soja registrou alta de 14,6% em Chicago, alcançando 66 centavos de dólar por libra-peso, acumulando valorização adicional de 4% na primeira metade de abril, a 68,6 centavos. O farelo subiu 3,7% no mesmo período, para US$ 317 por tonelada, mas recuou 0,5% na primeira quinzena de abril, para US$ 315 por tonelada. No mercado brasileiro, a maior disponibilidade de soja para esmagamento, diante da safra elevada, amplia a oferta doméstica de farelo e limita a valorização dos preços internos. Já o óleo encontra suporte adicional no cenário externo e na melhora da demanda doméstica no início de abril. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.